Exercício físico se associa a menor risco de câncer de mama

Estudos citados por INCA e NCI apontam associação entre atividade regular e menor risco, mas prática não substitui rastreamento.

A atividade física regular está associada a menor risco de câncer de mama, segundo estudos citados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI). A prática não elimina a possibilidade de desenvolver a doença nem substitui o rastreamento e a investigação de alterações nas mamas.

Uma análise combinada de 38 estudos, publicada em 2016 e citada pelo NCI, identificou risco de câncer de mama entre 12% e 21% menor entre mulheres mais fisicamente ativas, em comparação às menos ativas. Outro estudo de 2016, de Gong e colaboradores, citado em documento do INCA, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e da Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde, encontrou associação entre atividade física e risco 12% menor da doença em relação à ausência de atividade.

O tema ganha relevância diante da estimativa do INCA de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028.

Como o exercício pode atuar

De acordo com o NCI, o exercício pode reduzir os níveis de hormônios sexuais, como o estrogênio, envolvidos no desenvolvimento de determinados tumores mamários. A atividade também ajuda a evitar níveis elevados de insulina no sangue, hormônio que participa de processos relacionados ao crescimento celular.

O controle do peso é outro fator apontado no material, especialmente após a menopausa. A revisão publicada pelo INCA indica evidência moderada de associação entre maior atividade física e menor risco de câncer de mama independentemente do índice de massa corporal.

A redução da inflamação e o fortalecimento das defesas do organismo também são mecanismos investigados na relação entre movimento e prevenção. Esses efeitos atuam em conjunto e não representam barreiras isoladas contra o câncer.

Cuidados antes, durante e depois do tratamento

“A atividade física faz parte das medidas que ajudam a reduzir o risco de câncer de mama, mas não elimina a possibilidade de desenvolver a doença”, afirma Fábio Bagnoli, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia em São Paulo. Segundo ele, a prática deve caminhar com outros cuidados de saúde, o rastreamento indicado para cada mulher e a investigação de alterações nas mamas.

Durante e após o tratamento oncológico, exercícios adaptados podem ajudar a reduzir a fadiga, melhorar a capacidade física e a qualidade de vida, conforme o material. Bagnoli ressalta que a orientação deve considerar tratamento, sintomas e limitações de cada paciente, em diálogo com a equipe de saúde.

Letícia Teixeira, educadora física e gerente regional da Malibu Exclusive, afirma que caminhadas, dança e exercícios orientados podem ser adaptados à condição e às preferências de cada mulher. Para ela, a regularidade, com metas possíveis e progressão adequada, é mais indicada do que concentrar esforço em poucos dias.

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