Custos hospitalares subiram de 4,2% a 11,3%, diz Planisa
Boletim compara indicadores de 2024 e 2025 e aponta que preços, complexidade dos pacientes e produtividade influenciam as despesas.
Os custos hospitalares analisados pela Planisa aumentaram entre 4,2% e 11,3% de 2024 para 2025, conforme o serviço. A variação foi de 4,2% nos laboratórios de análises clínicas e chegou a 11,3% nas unidades de internação pediátrica, segundo o BIP – Boletim Informativo Planisa 2025 – Indicadores Econômicos & de Produtividade.
Os números não devem ser generalizados para todos os hospitais brasileiros. De acordo com a nota metodológica do boletim, os indicadores foram elaborados a partir da base de dados da empresa, com critérios próprios de apuração, e os custos medianos indicam a posição central dos resultados observados, não a média das instituições.
Preços e uso de recursos afetam as despesas
Segundo a Planisa, o custo assistencial é influenciado tanto pelo preço de medicamentos, materiais e serviços quanto pelo volume de uso desses recursos e pela complexidade do cuidado. Pacientes que demandam mais exames, procedimentos, tecnologias, cuidados intensivos ou internações mais longas também podem elevar as despesas.
Na internação adulta não crítica, o custo mediano por paciente-dia passou de R$ 974, em 2024, para R$ 1.069, em 2025, alta de 9,8%. A taxa de ocupação subiu de 76,2% para 77,6% no período. Para Maria Beatriz Nunes Pires, gerente técnica da Planisa, a variação dos indicadores sozinha não determina quanto da alta decorre de preços, consumo de recursos, complexidade assistencial ou outros fatores.
Nas UTIs, o custo mediano por paciente-dia foi de R$ 2.505 para R$ 2.690 na UTI adulto, aumento de 7,4%. Na UTI neonatal, passou de R$ 2.688 para R$ 2.895, elevação de 7,7%. As taxas de ocupação dessas unidades tiveram variação inferior a 1%, segundo o boletim.
Produtividade também entra na análise
O levantamento traz ainda dados sobre centros cirúrgicos. O custo médio por hora de sala aumentou 6,1%, de R$ 2.239 para R$ 2.375, enquanto o número de cirurgias por sala por dia caiu 13,3%, de 3,0 para 2,6, entre 2024 e 2025.
A empresa afirma que atrasos, cancelamentos, intervalos prolongados entre procedimentos, baixa utilização das salas e falhas de planejamento podem contribuir para aumentar o custo por procedimento. A análise, porém, precisa considerar o perfil clínico dos pacientes e os resultados assistenciais: custos diferentes não significam necessariamente desempenhos diferentes.
Para a gerente técnica Maria Raquel Ferreira, avaliar uma tecnologia não deve se limitar ao preço inicial do medicamento ou procedimento, mas considerar o custo total do tratamento, os recursos envolvidos, os desfechos clínicos e os benefícios alcançados. A Planisa defende o uso conjunto de dados de custos, ocupação, produtividade e perfil assistencial para identificar desperdícios e oportunidades de melhoria sem comprometer a qualidade e a segurança do cuidado.



