Radioterapia foi usada em 37,7% dos homens com câncer de mama

Levantamento da SBRT com registros de 2020 a 2023 também aponta que 62,29% dos casos masculinos estavam nos estádios III ou IV.

Dos 2.126 homens com câncer de mama registrados entre 2020 e 2023, 802 receberam radioterapia em algum momento do tratamento, o equivalente a 37,7%. Os dados são de um levantamento da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), feito a partir dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC).

No mesmo recorte, foram identificados mais de 163 mil registros de câncer de mama. Os homens representaram 1,30% desse total. Segundo a SBRT, as modalidades terapêuticas podem ser combinadas: 995 pacientes homens receberam quimioterapia, 917 passaram por cirurgia, 802 fizeram radioterapia e 578 utilizaram hormonioterapia.

Indicação depende das características do tumor

De acordo com o radio-oncologista Wilson José de Almeida Jr., presidente da SBRT, a indicação da radioterapia considera as características do tumor, o risco de recorrência e as condições clínicas de cada paciente. “A radioterapia pode ter um papel importante após a cirurgia, especialmente em situações em que há maior risco de a doença retornar na região tratada”, afirma.

Um estudo brasileiro publicado na revista Clinical Oncology, citado pela entidade, analisou retrospectivamente 907 homens diagnosticados entre janeiro de 2000 e julho de 2020 a partir de dados da Fundação Oncocentro de São Paulo. Na análise, pacientes que receberam radioterapia após a cirurgia apresentaram melhor sobrevida global, com redução observada de 33% no risco de morte. O resultado, segundo o material, reforça o papel do tratamento para pacientes selecionados.

Maior parcela dos registros masculinos estava em estágios avançados

Entre os homens com estadiamento registrado no levantamento, 32,34% estavam no estágio III e 29,95% no estágio IV, somando 62,29% dos casos. Entre as mulheres, essas proporções foram de 35,15% e 26,42%, respectivamente, totalizando 61,57%.

O estágio indica a extensão da doença no diagnóstico, em uma escala de 0 a IV. No estágio IV, há metástase. A SBRT aponta que a proporção de registros nesse estágio foi maior entre homens: 29,95%, ante 26,42% entre mulheres. Já no estágio I, os percentuais foram de 3,41% entre homens e 5,45% entre mulheres.

Almeida Jr. afirma que homens também devem investigar alterações persistentes na região das mamas, como nódulos e mudanças na pele ou no mamilo. Segundo ele, a avaliação individualizada permite planejar o tratamento de acordo com cada caso.

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