O que a aviação ensina sobre decisões sob pressão
Após uma volta ao mundo solo de 182 dias, o administrador Alex Frota relaciona gestão de riscos no voo a escolhas empresariais.
Decisões sob pressão exigem distinguir o que já está confirmado, o que ainda precisa ser verificado e o que não pode esperar. A avaliação é de Alex Frota, administrador e piloto que relaciona situações vividas em uma volta ao mundo solo em monomotor a escolhas de gestão empresarial e investimentos.
Segundo dados fornecidos pelo projeto Frotas Pelo Mundo, a expedição foi concluída no Ceará em 12 de setembro de 2026, após 182 dias, 77 mil quilômetros percorridos, 297 horas de voo e pousos em 33 países. No relato, panes elétricas, mudanças meteorológicas e problemas de navegação demandaram decisões com recursos e tempo limitados.
Para Frota, uma pane elétrica requer identificar quais sistemas foram afetados e que recursos permanecem disponíveis para manter o voo em segurança, mesmo antes de se saber a origem do problema. A comparação com as empresas envolve considerar caixa, prazos e compromissos antes de optar entre esperar ou mudar a estratégia.
Quando mudar a rota também tem custo
O piloto aponta que desviar de uma condição meteorológica adversa pode aumentar a distância e o consumo de combustível. Nessa situação, é necessário verificar se a aeronave consegue sustentar a alternativa até um aeroporto onde seja possível pousar com segurança.
Nos negócios, ele compara esse cálculo à troca de fornecedores, que pode reduzir preços e alongar entregas, ou à concessão de descontos, que pode preservar uma venda e comprometer a margem. “Uma escolha precisa caber nos recursos disponíveis e preservar a capacidade de continuar operando”, afirma.
A dificuldade de tomar decisões também apareceu na CEO Survey Snapshot August 2026, da PwC. O levantamento, publicado em 4 de agosto de 2026 com 351 presidentes executivos de 59 países, indicou que 27% relataram aumento elevado ou muito elevado na dificuldade de decidir sobre preços diante dos choques econômicos globais daquele ano. Outros 26% apontaram o mesmo nível de dificuldade na gestão de cadeias de abastecimento.
Rever o plano faz parte da decisão
De acordo com Frota, disciplina operacional, definição de prioridades e capacidade de rever uma decisão precisam funcionar juntas diante de imprevistos. Ele cita como exemplo uma empresa que perde um contrato: antes de assumir novas despesas, deve medir o impacto sobre o caixa, pois a expectativa de receita que sustentava o plano anterior mudou.
Alex Frota, também conhecido como Alex Bacana, é formado em Administração de Empresas, tem MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC e atua como gestor de recursos e administrador de carteiras, segundo o material divulgado.



