Como planejar o 13º salário entre dívidas e gastos de janeiro

Dados de Banco Central e Serasa Experian mostram pressão do crédito e da inadimplência; especialistas recomendam definir prioridades antes do depósito.

O 13º salário pode ajudar a renegociar dívidas e a preparar despesas já conhecidas do começo do ano, mas seu destino precisa ser definido antes do depósito, segundo especialistas ouvidos pela fonte. A orientação ganha relevância diante do endividamento das famílias e dos juros do crédito.

Em agosto, o Brasil tinha 84 milhões de consumidores inadimplentes, equivalentes a 51% da população adulta, de acordo com a Serasa Experian. No mesmo mês, o saldo das operações de crédito com as famílias alcançou R$ 4,7 trilhões, com crescimento de 10,5% em 12 meses. A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas foi de 61,7% ao ano, e a inadimplência nessa modalidade chegou a 8%, segundo o Banco Central.

Para João Vitor Mazzarino Pontes, corretor de seguros especialista em planejamento financeiro, deixar a decisão para depois que o dinheiro entra pode levar à percepção de que o valor está livre para gastos. Ele afirma que quem já tem dívidas ou despesas importantes no início do ano precisa estabelecer essa destinação antes.

Prioridades incluem dívidas e despesas previsíveis

Em julho, as famílias destinavam, em média, 28,7% da renda mensal ao pagamento de dívidas, segundo o Banco Central. Para trabalhadores com direito ao benefício, a primeira parcela pode ser paga até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro. Compras de fim de ano, férias e contas de janeiro concorrem com esse recurso.

A Serasa Experian informou que, em julho, 8,92 milhões de consumidores tinham dívidas negativadas ao mesmo tempo em bancos tradicionais e fintechs. Nesse grupo, a média era de 4,18 dívidas financeiras por pessoa. Rodrigo Mandaliti, presidente do Instituto de Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC), avalia que uma renda adicional pode abrir espaço para negociação, mas que é necessário observar o conjunto das pendências para não quitar uma e assumir outra em seguida.

Segundo os especialistas citados, dívidas com juros mais altos podem ser priorizadas, enquanto pessoas com contas equilibradas podem considerar despesas conhecidas ou a formação de reserva. A fonte também menciona seguros para acidentes, invalidez e incapacidade temporária para o trabalho como instrumentos que podem oferecer suporte financeiro, mas ressalta que eles não eliminam dívidas, não substituem reserva e exigem avaliação de custos, coberturas e condições contratuais.

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