Câncer de próstata pode não causar sintomas no início
Estimativa do INCA prevê 77.920 novos casos anuais entre 2026 e 2028; avaliação deve considerar riscos e ser discutida com médico.
O câncer de próstata pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 77.920 novos casos por ano entre 2026 e 2028, e a doença é a mais incidente entre homens brasileiros, depois dos tumores de pele não melanoma.
Alterações como dificuldade para urinar, sangue na urina e aumento da frequência urinária podem surgir, mas também estão associadas a condições benignas. Por isso, de acordo com o urologista Ricardo Brandina, a decisão de investigar a próstata não deve depender apenas do aparecimento desses sinais: idade, histórico familiar, características individuais e condições gerais de saúde precisam ser considerados.
Quando conversar sobre a avaliação da próstata
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) orienta que homens a partir dos 50 anos conversem com um especialista sobre a avaliação prostática. Para homens negros e pessoas com histórico familiar da doença, a discussão pode começar aos 45 anos.
Não há recomendação para a realização automática de exames em todos os homens sem sintomas. O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional indiscriminado, devido ao risco de diagnósticos e tratamentos desnecessários. A decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente, considerando benefícios e possíveis consequências.
O INCA registra 17.826 mortes por câncer de próstata no Brasil em 2024, o equivalente a cerca de 49 mortes por dia. Embora o Ministério da Saúde já tenha disponibilizado registros preliminares de 2025, o total específico de óbitos pela doença ainda precisa ser confirmado na base.
PSA não confirma o diagnóstico sozinho
O exame de sangue para medir o antígeno prostático específico, conhecido como PSA, é uma das ferramentas usadas na avaliação da próstata. Um resultado alterado, porém, não confirma sozinho a presença de câncer, pois mudanças podem ocorrer por diferentes razões, como crescimento benigno da glândula e processos inflamatórios.
Quando há suspeita, o urologista pode indicar exames complementares e, em determinadas situações, uma biópsia para confirmar o diagnóstico. A identificação de um tumor também não significa necessidade imediata de cirurgia: as estratégias terapêuticas variam conforme agressividade e extensão da doença, idade e condições clínicas do paciente.
Entre as possibilidades estão vigilância ativa para determinados tumores de baixo risco, radioterapia e cirurgia. Nos casos em que a operação é indicada, a cirurgia robótica pode auxiliar na precisão dos movimentos e na visualização das estruturas anatômicas, segundo Brandina, embora os resultados dependam de fatores clínicos e da experiência da equipe.
Manter peso adequado, praticar exercícios físicos, evitar o tabagismo e adotar alimentação equilibrada são medidas importantes para a saúde geral, mas não eliminam o risco de câncer de próstata. O acompanhamento merece atenção especial em casos de histórico familiar, sobretudo quando parentes próximos receberam o diagnóstico antes dos 60 anos.



