Câncer de cólon: 2.767 registros em pessoas com menos de 40
Levantamento da SBCO com dados hospitalares aponta que a faixa etária respondeu por 5,7% dos registros de 2020 a 2023.
O câncer de cólon foi registrado em 2.767 pessoas com menos de 40 anos no Brasil entre 2020 e 2023, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) a partir de dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC), do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O número corresponde a 5,7% dos 48.550 casos contabilizados no período.
Entre pessoas com menos de 50 anos, foram 7.982 registros, ou 16,4% do total. O levantamento é restrito aos tumores de cólon, parte do intestino grosso, e não inclui tumores no reto. Os dados representam hospitais participantes do registro, públicos e privados, e não abrangem a totalidade dos diagnósticos feitos no país.
Na divisão por idade, houve 2.083 registros entre 30 e 39 anos, 2.096 entre 40 e 44 anos e 3.119 entre 45 e 49 anos. Embora a doença seja mais frequente após os 50 anos, os dados indicam ocorrências também antes dessa faixa etária.
Óbitos e estimativas para o país
Dados levantados pela SBCO no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, apontam 2.579 mortes por câncer de cólon entre pessoas com menos de 40 anos de 2020 a 2025, equivalentes a 2,9% dos 89.167 óbitos registrados no período. As informações de 2025 ainda são preliminares.
Segundo estimativas do INCA citadas pela entidade, são esperados 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil entre 2026 e 2028. O câncer colorretal reúne tumores de cólon e reto.
Sintomas que merecem avaliação
De acordo com Paulo Henrique de Sousa Fernandes, cirurgião oncológico e presidente da SBCO, sintomas não devem ser desconsiderados apenas pela idade. Sangue nas fezes, mudanças persistentes no hábito intestinal, como diarreia ou constipação, dor abdominal recorrente, anemia sem causa esclarecida e perda de peso involuntária merecem avaliação médica. A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas pode justificar investigação específica.
Fernandes afirma que a colonoscopia pode identificar e remover pólipos, lesões que podem evoluir para câncer em determinadas circunstâncias. O teste imunoquímico fecal identifica pequenas quantidades de sangue não visíveis nas fezes e pode indicar a necessidade de investigação complementar. Em diferentes diretrizes internacionais, o rastreamento para pessoas com risco habitual começa aos 45 anos; no Brasil, recomendações e estratégias dependem das diretrizes adotadas e da organização da saúde pública.



