Ultraprocessados elevam risco de cárie em adolescentes
Segundo o CROSP, o consumo repetido fora das refeições prolonga a exposição dos dentes a açúcares e ácidos.
O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, especialmente fora das refeições principais, pode aumentar o risco de cárie e prejudicar a saúde bucal de crianças e adolescentes, segundo especialistas do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP). Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2019) mostram que 97,3% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos consumiram ao menos um alimento ultraprocessado no dia anterior à pesquisa.
Refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos e macarrão instantâneo estão entre os produtos citados pelo CROSP. De acordo com Paulo Frazão, presidente da Câmara Técnica de Saúde Coletiva da entidade, esses alimentos podem contribuir para a deterioração da saúde bucal por seu elevado conteúdo de açúcares e ácidos.
Consumo repetido ao longo do dia merece atenção
Segundo Frazão, a frequência de ingestão de ultraprocessados fora das refeições principais é um dos comportamentos alimentares associados ao risco de cárie. Para Silvana Frascino, presidente da Câmara Técnica de Odontopediatria do CROSP, alimentos açucarados e pegajosos, além de bebidas adoçadas, consumidos repetidamente podem manter o pH do biofilme dental baixo por mais tempo. Isso favorece a desmineralização do esmalte e o desenvolvimento da cárie, conforme a especialista.
A atenção é particularmente importante na infância e adolescência, quando bebidas adoçadas, sucos de caixinha, isotônicos, biscoitos recheados e salgadinhos podem integrar a rotina alimentar. Silvana Frascino ressalta que o foco não está no consumo ocasional, mas na repetição desses produtos durante o dia.
Orientação inclui alimentação e cuidados bucais
O CROSP orienta famílias a observarem quais produtos aparecem com mais frequência em casa e a identificarem ultraprocessados pela leitura dos rótulos e da lista de ingredientes. A entidade também cita as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, que valoriza alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias.
Segundo o conselho, orientações sobre alimentação devem ser associadas a higiene bucal adequada com dentifrício fluoretado e acompanhamento odontológico individualizado. O CROSP afirma ainda que o consumo frequente de ultraprocessados pode estar relacionado a impactos na saúde geral, devido à elevada densidade energética, ao excesso de açúcares e sódio e ao perfil de gorduras desses produtos.



