Obesidade entre 5 e 19 anos chega a 17,4% no Brasil em 2024
Dados da OMS indicam aumento ante 1980; endocrinologista orienta abordagem familiar sem dietas restritivas.
A prevalência de obesidade entre crianças e adolescentes brasileiros de 5 a 19 anos passou de 1,6%, em 1980, para 17,4%, em 2024, segundo a base de indicadores da Organização Mundial da Saúde (OMS). O dado foi divulgado pelo Hospital Sírio-Libanês em outubro de 2026 e aponta um crescimento superior a dez vezes no período.
De acordo com o material, a obesidade na infância pode estar associada a alterações metabólicas, como hipertensão, glicose e colesterol elevados e acúmulo de gordura no fígado. A endocrinologista Paula Fábrega, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, afirma que a prevenção deve considerar fatores alimentares, genéticos, ambientais, comportamentais e socioeconômicos.
Estimativas apontam repercussões do excesso de peso
O Atlas Mundial da Obesidade 2026, da Federação Mundial da Obesidade, estima que cerca de 16,5 milhões de brasileiros de 5 a 19 anos apresentavam sobrepeso ou obesidade em 2025. Segundo o relatório, aproximadamente 4 milhões nessa faixa etária tinham doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica atribuída ao IMC elevado, e 1,4 milhão apresentava hipertensão associada ao mesmo fator.
Esses números são estimativas populacionais, e não diagnósticos individuais. A avaliação de cada criança deve considerar idade, sexo, crescimento, desenvolvimento e histórico de saúde, informa o release.
Rotina familiar e alimentação sem culpabilização
Paula Fábrega orienta que prevenir ou tratar precocemente a obesidade infantil não significa submeter a criança a dieta restritiva ou fazê-la se preocupar com o peso. “Significa criar, em família, um ambiente que favoreça uma alimentação equilibrada, movimento, sono adequado e uma relação saudável com o próprio corpo e com a comida”, afirma a especialista.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026, que reuniu 23 estudos com cerca de 155 mil adolescentes, encontrou associação entre maior consumo de ultraprocessados e excesso de peso. Na comparação entre os grupos de maior e menor consumo, a chance de sobrepeso ou obesidade foi 63% maior entre adolescentes com maior ingestão desses produtos. Por analisar estudos observacionais, porém, a pesquisa não estabelece relação direta de causa e efeito.
Segundo a endocrinologista, doces não precisam ser tratados como alimentos proibidos, mas devem integrar uma alimentação equilibrada e não ser usados como recompensa. O material recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e envolver os adultos nas mudanças de rotina.
Quando buscar acompanhamento profissional
O acompanhamento pediátrico pode avaliar a trajetória de crescimento, hábitos de vida, histórico familiar e a necessidade de investigar alterações metabólicas. Quando indicado, o cuidado pode envolver endocrinologia, nutrição e acompanhamento psicológico.
Para pessoas de 5 a 17 anos, a OMS recomenda média de ao menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana, conforme suas diretrizes de atividade física e comportamento sedentário. O release também destaca a importância do sono, da redução do tempo sedentário e de uma abordagem que evite comentários depreciativos sobre o corpo.


