Detecção precoce do câncer: teste busca 50 tumores
Exame de sangue disponível no Brasil analisa sinais ligados a mais de 50 tipos de câncer, mas não substitui rastreamentos recomendados.
A detecção precoce do câncer ganha ferramentas de análise molecular e inteligência artificial no Brasil. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 781 mil novos casos por ano no triênio de 2026 a 2028, cenário que reforça a relevância da prevenção, do rastreamento e da investigação em fases iniciais.
Novos recursos podem acrescentar informações à avaliação médica, mas não substituem os métodos de rastreamento recomendados para cada tipo de tumor. A indicação depende de fatores como sinais apresentados, idade, histórico familiar e características clínicas da pessoa.
Quais exames participam da investigação do câncer?
O diagnóstico precoce do câncer não depende de uma tecnologia única. No câncer de mama, por exemplo, a mamografia permanece entre os principais métodos de rastreamento; ultrassonografia e ressonância magnética podem ser indicadas em situações específicas.
De acordo com o material divulgado pelo Grupo Fleury, exames laboratoriais, testes genéticos, métodos de imagem e análises moleculares são empregados conforme as características de cada doença. Recursos computacionais podem apoiar a interpretação dos resultados desses exames.
Como funciona o teste de sangue para mais de 50 tumores?
O Galleri, exame disponibilizado pelo Grupo Fleury e desenvolvido pela Grail, utiliza uma amostra de sangue para procurar sinais associados a mais de 50 tipos de câncer. Segundo a empresa, o teste analisa padrões de metilação do DNA livre de células presente na circulação sanguínea, por meio de sequenciamento de nova geração.
A análise também usa machine learning para identificar padrões relacionados à presença de câncer e estimar o tecido ou órgão de origem do sinal encontrado. Essa informação pode direcionar a investigação médica para exames diagnósticos posteriores.
Segundo informações do Fleury sobre estudos clínicos relacionados ao teste, 53,5% dos cânceres detectados estavam nos estágios I e II. Entre os cânceres identificados nesses estágios, 74% eram tipos para os quais não há rastreamento recomendado para a população geral.
O resultado substitui mamografia e outros rastreamentos?
Não. A proposta do exame é complementar, e não substituir, os métodos já recomendados para tipos específicos de câncer. Um resultado que indique um possível sinal precisa ser investigado com outros exames e avaliação médica.
Ferramentas de inteligência artificial também podem analisar padrões em exames de imagem ou em dados moleculares, mas não eliminam a avaliação clínica. Os resultados devem ser considerados junto às informações da paciente e, quando necessário, confirmados ou descartados por procedimentos adicionais.



