AVC: Brasil registra 50 mil mortes em 7 meses de 2026
Dados do DATASUS citados pela Rede Brasil AVC apontam 50.424 mortes e 182.253 internações de janeiro a julho.
AVC matou 50.424 pessoas e levou a 182.253 internações no Brasil nos primeiros sete meses de 2026, segundo dados do DATASUS divulgados pela Rede Brasil AVC. O total equivale a uma média de 238 mortes e 860 internações por dia entre janeiro e julho.
De acordo com a organização, a média de mortes no período corresponde a aproximadamente um óbito a cada seis minutos. Os números são destacados no mês do Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro.
Quais são os sinais de AVC?
Reconhecer os sinais de AVC e buscar atendimento imediato é decisivo, afirma a neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC. A médica cita como alertas:
- fraqueza ou formigamento no rosto, braço ou perna, especialmente em um lado do corpo;
- confusão, dificuldade para falar ou compreender;
- alteração na visão em um ou nos dois olhos;
- tontura, desequilíbrio, dificuldade de coordenação ou para andar;
- dor de cabeça súbita e intensa, sem causa aparente.
Segundo Sheila Martins, a sigla “VÁ De SAMU” ajuda a memorizar os sinais: visão alterada, desequilíbrio, sorriso com desvio na boca, dificuldade para levantar um dos braços e mudança na fala. Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação citada pela especialista é ligar para o SAMU, pelo número 192.
Como os tipos de AVC acontecem?
O AVC isquêmico ocorre quando uma artéria é obstruída e o sangue e o oxigênio deixam de chegar adequadamente às células cerebrais. Conforme o material da Rede Brasil AVC, ele representa cerca de 85% dos casos.
Já o AVC hemorrágico acontece com o rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro e responde por aproximadamente 15% dos casos, com maior risco de morte, segundo a organização.
Internações por AVC em jovens também cresceram
As internações por AVC cresceram 23,6% no Brasil entre 2020 e 2025, passando de 236.930 para 292.930 registros, de acordo com os dados citados no levantamento. Entre pessoas de 15 a 49 anos, o aumento foi de 16,9% no mesmo intervalo: de 34.896 para 40.788 internações.
Sheila Martins afirma que a menor suspeita de AVC em pessoas jovens pode atrasar o reconhecimento da condição. A especialista menciona doenças cardíacas não diagnosticadas, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, histórico familiar, tabagismo associado ao uso de anticoncepcionais, sedentarismo e consumo excessivo de álcool entre fatores que podem elevar o risco cardiovascular.
O que mudou no atendimento de AVC pelo SUS?
Segundo a Rede Brasil AVC, o SUS teve avanços recentes na organização do cuidado, incluindo a previsão de ampliação da oferta de medicamentos trombolíticos na urgência e emergência. No AVC isquêmico, esses medicamentos podem dissolver o trombo que bloqueia o vaso, quando usados rapidamente e em pacientes adequadamente selecionados.
O Ministério da Saúde também instituiu, em setembro, um comitê para acompanhar a implementação de linhas de cuidado para AVC e infarto agudo do miocárdio, informa o material. A Rede Brasil AVC prevê lançar, no Dia Mundial/Nacional do AVC, um documento sobre diagnóstico situacional, expansão e monitoramento da assistência no país.



