Pesquisa aponta que 59% das mulheres veem deslegitimação do voto
Levantamento da Hibou para a plataforma Red é de Sangue ouviu 1.449 eleitores brasileiros em setembro de 2026.
Uma pesquisa da Hibou Pesquisas e Insights, realizada para a plataforma Red é de Sangue, aponta que 59% das mulheres brasileiras acreditam existir um movimento organizado para desestimular ou deslegitimar o voto feminino. Entre todos os eleitores ouvidos, o índice foi de 47%; entre os homens, de 35%.
O levantamento foi feito entre 1º e 4 de setembro de 2026 com 1.449 eleitores brasileiros maiores de 18 anos, de todas as classes sociais e regiões do país. Segundo a Hibou, a pesquisa utilizou painel digital e tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais.
Conteúdos nas redes e estereótipos sobre mulheres
De acordo com a pesquisa, 47% dos entrevistados já viram nas redes sociais conteúdos que afirmam que mulheres não deveriam votar ou que seriam facilmente manipuláveis. Entre as mulheres, a proporção chegou a 62%, ante 33% entre os homens.
Sete em cada dez mulheres disseram perceber que uma mulher com opinião política forte é mais frequentemente chamada de “histérica”, “emocional” ou “desequilibrada” do que um homem na mesma situação. Entre os homens, 28% reconheceram essa prática.
O estudo também indicou que 25% dos homens concordam total ou parcialmente que mulheres são mais emocionais e que isso pode prejudicar suas decisões políticas; entre as mulheres, esse percentual foi de 12%. Além disso, 20% dos homens concordaram, ao menos parcialmente, que homens são mais centrados e votam melhor do que mulheres.
Pressão no ambiente doméstico e escolha eleitoral
Segundo o levantamento, 19% dos homens consideram que o casal deve decidir junto em quem votar. Outros 22% disseram achar aceitável tentar convencer insistentemente a parceira a mudar o voto, percentual que foi de 10% entre as mulheres. A pesquisa registrou ainda que 47% dos brasileiros já deixaram de comentar política ou declarar o voto em casa para evitar conflitos.
Ao avaliar candidatos, 80% das mulheres afirmaram levar em conta falas ou posições machistas. Entre os homens, o índice foi de 63%, enquanto 14% responderam que consideram esse aspecto “às vezes”. Para 96% dos entrevistados, um histórico de corrupção seria motivo para deixar de votar em um candidato.
“Os dados mostram que a influência anti voto feminino na internet existe, mas traz uma contradição entre os homens”, afirmou Ligia Mello, CSO da Hibou e coordenadora da pesquisa, em material divulgado pela plataforma.
A íntegra do levantamento está disponível na plataforma Red é de Sangue.



