Outubro Rosa: apoio emocional também envolve familiares

Psicanalista Araceli Albino aborda medo, escuta e acolhimento durante o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil. Para o triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 78,6 mil novos casos por ano no país; entre as mulheres, a doença representa aproximadamente 30% dos casos novos de câncer, segundo os dados citados no material.

Durante o Outubro Rosa, além da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento, o impacto emocional do diagnóstico também merece atenção, avalia Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo. Para ela, medo, insegurança, ansiedade, tristeza e raiva podem surgir ao longo desse processo, que afeta a forma como a pessoa se percebe, se relaciona e imagina o futuro.

“A doença não atinge somente o corpo. Ela também pode provocar uma ruptura na maneira como a pessoa se percebe, se relaciona e imagina o próprio futuro. Por isso, é importante que exista espaço para falar sobre o medo, a tristeza, a raiva e todas as emoções que podem aparecer durante esse processo”, afirma Araceli.

Escuta e presença podem apoiar pacientes

Segundo a psicanalista, buscar apoio emocional não substitui o tratamento médico nem significa atribuir à força psicológica a responsabilidade pela recuperação. Esse acompanhamento pode ser um espaço de acolhimento para elaborar a experiência e atravessar as etapas do tratamento.

Familiares e amigos também podem enfrentar medo, angústia e sensação de impotência, observa Araceli. Ela ressalta que reconhecer essas emoções não diminui o apoio oferecido à pessoa doente. Diante do diagnóstico, frases de incentivo podem criar cobrança involuntária para esconder sentimentos difíceis; para a especialista, oferecer escuta, respeitar momentos de silêncio e perguntar como a pessoa gostaria de ser ajudada são atitudes acolhedoras.

O Ministério da Saúde também destaca, conforme o material, a importância da rede de amigos e familiares no suporte a pessoas que enfrentam o câncer. Para Araceli, não há uma reação única ou correta ao diagnóstico: cada pessoa elabora a experiência de uma forma e pode se beneficiar de um espaço de fala sem julgamentos.

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