Quando o controle vira gargalo para o crescimento empresarial

Especialista em neurociência explica como a centralização de decisões pode limitar a expansão dos negócios e aponta caminhos para líderes se adaptarem ao crescimento

Centralizar decisões pode ser eficaz no início de um negócio, mas se torna um obstáculo à medida que a empresa cresce e exige uma nova postura de liderança, segundo o estrategista Thiago Shimada. Ele destaca que muitos empresários continuam aprovando contratações, acompanhando problemas operacionais e tomando decisões que poderiam ser delegadas, o que limita o potencial de expansão.

De acordo com Shimada, formado em Comunicação Social e pós-graduado em Neurociência, o desafio está em reconhecer que hábitos que ajudaram a construir a empresa deixam de funcionar quando ela ganha escala. “No começo, o empresário precisa estar em quase tudo. O erro é acreditar que essa mesma forma de trabalhar precisa continuar quando a empresa já tem outra estrutura”, afirma.

O problema surge quando a autoridade permanece concentrada, mesmo com tarefas distribuídas. “Delegar trabalho não é o mesmo que delegar decisão”, explica Shimada, ressaltando que o controle transmite segurança e que mudar esse comportamento pode causar resistência.

Para o especialista, o fundador deve mudar de função conforme a empresa cresce, dedicando-se a decisões estratégicas que só a alta liderança pode tomar, como novos mercados, investimentos e prioridades. “Existe uma pergunta simples que o empresário deveria fazer: o problema que estou resolvendo hoje realmente precisa de mim?”, questiona.

Shimada também destaca a importância de preparar outras pessoas para assumir responsabilidades, definindo limites, indicadores e critérios claros para garantir autonomia e confiança sem perder a gestão.

Pesquisas reforçam o desafio: a Global CEO Survey 2026, da PwC, mostra que executivos dedicam 47% do tempo a questões de curto prazo, enquanto apenas 16% é para decisões de longo prazo. Além disso, análise da McKinsey indica que apenas 30% das transformações organizacionais entregam o valor esperado.

“O crescimento não depende apenas de orçamento, tecnologia ou contratações, mas da capacidade do empresário de rever sua atuação”, conclui Shimada.

Sobre Thiago Shimada

Thiago Shimada, conhecido como Shimada Sensei, é estrategista de Business Performance e especialista em neuromodulação aplicada à tomada de decisão de líderes empresariais. Bacharel em Comunicação Social pela FAAP e pós-graduado em Neurociência pela Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, possui formações complementares em psicodinâmica, psicanálise, psicologia aplicada a negócios, liderança e inteligência emocional.

Com mais de 20 anos de experiência, iniciou na publicidade e migrou para o empreendedorismo, fundando a Academia da Marca, agência focada em cultura organizacional, estratégia e performance empresarial. Atua também como palestrante para organizações como AWS, Nestlé, TIM, Epson, Reclame Aqui e OAB São Paulo.

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