Menopausa e osteoporose: como proteger os ossos
Entenda a relação entre menopausa e perda óssea e saiba como prevenir fraturas com alimentação, exercícios e exames adequados
Entre 2013 e 2023, o SUS registrou 45,4 mil internações de idosos por fratura de fêmur no Paraná e 25 mil em Santa Catarina, com cerca de sete em cada dez pacientes sendo mulheres, segundo levantamento publicado em 2025 com dados do DATASUS. A fratura é frequentemente a primeira manifestação da osteoporose, doença silenciosa que se acelera na menopausa.
Segundo o ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, a queda do estrogênio na menopausa acelera a perda de massa óssea, pois o hormônio regula a renovação dos ossos. “A menopausa não causa a osteoporose sozinha, mas acelera um processo que já está em curso”, afirma Kulak.
Um estudo internacional publicado em junho de 2025 na revista Calcified Tissue International, conduzido pela Universidade Deakin, na Austrália, analisou 287 mulheres com menopausa recente e constatou maior perda óssea na coluna lombar e antebraço nos primeiros cinco anos após a menopausa. A proporção de mulheres com osteopenia e osteoporose aumentou com o tempo desde a última menstruação.
Prevenção com alimentação, vitamina D e exercícios
A base da prevenção é uma alimentação adequada, com ingestão diária recomendada de 1.000 a 1.200 mg de cálcio para mulheres na pós-menopausa, preferencialmente por meio de alimentos como leite, derivados, sardinha, vegetais verde-escuros, tofu e oleaginosas, segundo diretrizes indicadas. O suplemento deve ser usado somente com orientação médica para evitar riscos do excesso.
A endocrinologista Cristina Khawali, gerente médica do Laboratório Santa Luzia, explica que a vitamina D é essencial para a absorção do cálcio, sendo obtida principalmente pela exposição solar moderada e regular. “A deficiência é frequente, inclusive no Brasil, e só o exame de sangue pode indicar a necessidade de reposição”, afirma Khawali.
Exercícios físicos também são fundamentais. Atividades de força, como musculação, e de impacto moderado, como caminhada, dança e subida de escadas, ajudam a preservar a massa óssea. Treinos de equilíbrio e coordenação reduzem o risco de quedas, principal causa de fraturas em idosos. “Não existe atalho. Cálcio na alimentação, vitamina D em nível adequado e exercício com carga são a base”, reforça Kulak.
Exames para acompanhamento
A densitometria óssea (DXA) é o exame que confirma o diagnóstico de osteoporose, indicado a partir dos 65 anos ou antes em mulheres com fatores de risco, como menopausa precoce, baixo peso, tabagismo, uso prolongado de corticoides e histórico familiar de fratura de quadril. Fraturas por fragilidade óssea, causadas por quedas de baixa intensidade, são consideradas no risco.
Exames de sangue avaliam níveis de cálcio, fósforo, vitamina D, paratormônio (PTH) e outros marcadores que ajudam a identificar causas secundárias da perda óssea e monitorar o tratamento. “O exame de sangue não faz o diagnóstico, que depende da densitometria, mas mostra se há causas por trás da perda óssea”, explica Cristina Khawali.
Dados do SUS no Paraná indicam que 67,6% das internações por fratura de fêmur entre idosos foram de mulheres, com 47,5% com 80 anos ou mais, e custo médio de R$ 3.186 por internação, segundo estudo publicado em 2025 na revista Varia Scientia. Pesquisa em Maringá com 654 idosos mostrou que 15,6% relataram osteoporose, com mulheres tendo 4,45 vezes mais chance de apresentar a doença.



