Brasil pode superar 1,15 milhão de médicos até 2035, aponta estudo
Projeção da Demografia Médica no Brasil 2025 reacende o debate sobre jornadas, descanso e uso da saúde digital na profissão.
O Brasil pode superar 1,15 milhão de médicos em atividade até 2035, mais que o dobro dos 572,9 mil registrados em 2023, segundo o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, realizado pelo Ministério da Saúde, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
De acordo com o estudo, a idade média dos médicos, estimada em 44,8 anos em 2024, poderá cair para 40,8 anos em 2035. A pesquisa também estima que o país tenha alcançado 635,7 mil profissionais em atividade em 2025, o equivalente a 2,98 médicos por mil habitantes.
Para a plataforma de saúde digital Dr. Online, esse crescimento amplia o debate sobre as condições de trabalho na medicina, incluindo organização das jornadas, descanso, autonomia e apoio à prática clínica. A empresa afirma que a qualidade de vida dos profissionais deve ser considerada em conjunto com a qualidade assistencial.
“O crescimento da força de trabalho médica representa uma oportunidade para discutir não apenas quantos profissionais estarão disponíveis, mas também em quais condições eles exercerão a medicina. Qualidade de vida, autonomia, previsibilidade e suporte precisam fazer parte dessa agenda”, afirma Ana Vicenzi, médica e diretora de Qualidade e Atenção à Saúde da Dr. Online.
Telessaúde e rotina profissional
Segundo a Dr. Online, o atendimento remoto pode reduzir deslocamentos e ampliar a flexibilidade geográfica para médicos. A companhia ressalta, porém, que os possíveis benefícios dependem de agendas estruturadas, acesso a informações clínicas e suporte assistencial e operacional.
“Reduzir deslocamentos já representa um ganho relevante para a rotina do médico. O passo seguinte é organizar o trabalho digital com previsibilidade, suporte e limites claros de jornada, para que essa flexibilidade se traduza em mais equilíbrio profissional”, analisa Vicenzi.
A executiva também defende que a experiência dos médicos seja considerada entre os indicadores de gestão assistencial. Na avaliação dela, além de produtividade, tempo de espera e satisfação dos pacientes, fatores como respeito aos intervalos, acesso a suporte e percepção sobre os processos de trabalho ajudam a compor uma visão mais ampla de qualidade.
As avaliações sobre os impactos da saúde digital e sobre a organização das jornadas refletem a posição da Dr. Online. Já os números de crescimento e perfil etário da categoria são atribuídos ao estudo Demografia Médica no Brasil 2025.



