Após diagnóstico de TEA, plano terapêutico deve considerar necessidades individuais
Dados do IBGE apontam 1,1 milhão de crianças e adolescentes de até 19 anos com diagnóstico declarado de autismo no Brasil.
Após a confirmação do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o acompanhamento deve partir de uma avaliação das necessidades, habilidades e contexto de cada criança, segundo Ronaldo Ranieri, diretor da CompletaMente, rede de atendimento multidisciplinar para crianças e adolescentes. A definição de prioridades, a integração entre profissionais e a participação da família estão entre os pontos destacados para a elaboração do plano de cuidados.
Dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificaram 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico declarado de autismo no Brasil, equivalentes a 1,2% da população. Entre crianças e adolescentes de até 19 anos, o levantamento registrou aproximadamente 1,1 milhão de pessoas; a maior proporção de diagnósticos foi observada na faixa de 5 a 9 anos, com 2,6%.
Avaliação orienta prioridades
Segundo Ranieri, o diagnóstico, por si só, não define quais intervenções serão necessárias. “Cada criança tem características, habilidades, interesses e necessidades próprias. Por isso, o atendimento precisa começar com uma escuta cuidadosa da família e uma avaliação que permita entender como ela se comunica, interage, aprende e realiza as atividades do cotidiano”, afirma.
De acordo com as orientações do Ministério da Saúde citadas pela CompletaMente, o cuidado pode resultar em um Projeto Terapêutico Singular (PTS), construído com a participação da equipe de saúde, da pessoa atendida e de familiares. O processo inclui histórico, habilidades já desenvolvidas, aspectos que demandam apoio e objetivos que possam ser acompanhados ao longo do tempo.
Integração e participação familiar
Conforme a avaliação, o acompanhamento pode envolver Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Psicopedagogia e outras áreas. Segundo Ranieri, mais do que reunir especialidades, é necessário alinhar objetivos e compartilhar informações entre os profissionais. “O plano terapêutico deve ser acompanhado e revisto conforme os avanços, as dificuldades observadas e as novas necessidades que surgem durante o desenvolvimento”, explica.
A orientação parental também pode ajudar responsáveis a compreender os objetivos do tratamento, relatar observações da rotina e participar das decisões, segundo a CompletaMente. A empresa ressalta que isso não transfere aos familiares a responsabilidade pelas intervenções. Ranieri afirma que o acompanhamento deve respeitar as particularidades da criança e incluir ajustes de estratégia quando necessários.



