Palidez persistente, febre recorrente e manchas: 8 sinais que merecem atenção na criança
Conheça os sintomas que podem indicar câncer infantil e a importância do diagnóstico precoce, segundo especialistas e a Lei 15.442/2026
Febre que volta, palidez persistente, manchas roxas sem explicação e dores que não passam podem estar relacionadas a problemas comuns da infância, mas, quando persistem ou fogem do padrão habitual da criança, merecem avaliação médica. A atenção a essas mudanças é fundamental para identificar possíveis sinais de câncer infantil e buscar investigação no momento adequado, segundo especialistas. A Lei 15.442/2026, em vigor desde junho, reforça a importância de divulgar esses sintomas e capacitar profissionais da atenção primária para reconhecê-los.
De acordo com o oncologista pediátrico Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e fundador e presidente da TUCCA, “na oncologia pediátrica, muitos sintomas iniciais podem se confundir com problemas comuns da infância. Por isso, o mais importante não é criar uma lista de sinais para os pais diagnosticarem o câncer, e sim orientar quando é preciso voltar ao pediatra e investigar uma alteração que persiste ou foge do padrão daquela criança”.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil, com cerca de 7.560 novos casos estimados por ano entre 2026 e 2028. A Lei 15.442/2026 determina que campanhas de saúde pública priorizem a divulgação dos sinais e sintomas do câncer infantil e capacitem profissionais da atenção primária para reconhecê-los.
O que observar
- Febre persistente ou recorrente: episódios que duram vários dias, desaparecem e voltam ou não apresentam causa evidente.
- Palidez que não melhora: criança mais pálida que o habitual de forma persistente.
- Manchas roxas ou pontinhos vermelhos sem explicação, especialmente quando surgem espontaneamente, em maior quantidade ou em locais incomuns.
- Dor que não passa: principalmente dores ósseas ou nas pernas que persistem, pioram ou atrapalham a rotina da criança.
- Barriga inchada ou caroços: aumento do volume abdominal sem causa aparente ou presença de nódulos no pescoço, axila ou virilha.
- Ínguas que não desaparecem: gânglios que permanecem aumentados por semanas.
- Alterações nos olhos: reflexo branco na pupila em fotografias com flash, estrabismo recente ou alterações na visão.
- Dor de cabeça recorrente: especialmente quando acorda a criança, é mais intensa pela manhã ou aparece acompanhada de vômitos ou alterações de equilíbrio.
O caso de Maitê, diagnosticada com hepatoblastoma aos pouco mais de 1 ano de idade, ilustra como a percepção da família pode ser o primeiro passo para investigar o câncer infantil. Após constipação e distensão abdominal persistentes, a família buscou atendimento e Maitê foi encaminhada para o Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde em parceria com a TUCCA. O tratamento incluiu quimioterapia e cirurgia complexa, com resultados positivos e acompanhamento em curso.
Sidnei Epelman destaca que “quando existe uma suspeita, cada etapa importa. É preciso investigar, chegar ao diagnóstico correto e, quando necessário, encaminhar a criança para um serviço especializado. Em oncologia pediátrica, não existe um tratamento único, pois cada tumor e paciente precisam ser avaliados individualmente”.
Na rede pública, o atendimento inicial pode acontecer na Unidade Básica de Saúde (UBS), que faz o encaminhamento conforme a necessidade. O acesso a um serviço especializado é fundamental para dar continuidade à investigação e iniciar o tratamento adequado.
“Os pais não precisam carregar sozinhos a responsabilidade de identificar uma doença tão complexa. O papel da família é perceber que existe algo diferente e buscar avaliação. A partir daí, cabe à equipe de saúde investigar, orientar e encaminhar. Quanto mais ágil e bem estruturado é esse caminho, maiores as possibilidades de oferecer o cuidado adequado no tempo certo”, conclui Sidnei Epelman.
Sobre a TUCCA
Fundada em 1998 pelo oncologista pediátrico Sidnei Epelman e pela psicanalista Claudia Epelman (in memoriam), a TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) é uma organização sem fins lucrativos que desenvolveu um modelo pioneiro de parceria público-privada na oncologia pediátrica, atendendo pacientes do Brasil e da América Latina.
Em parceria com o Santa Marcelina Saúde, mantém o primeiro e único serviço dedicado ao tratamento do câncer infantojuvenil da região, oferecendo tratamento integral baseado em diagnóstico rápido e preciso, terapias de ponta, equipe altamente qualificada e medicamentos de alto custo. Todo o tratamento é gratuito, viabilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e complementado com doações.
A estrutura inclui atendimento ambulatorial, internação, suporte social e emocional por equipe multidisciplinar, além de diferenciais como o Centro de Atenção Integrada à Criança com Retinoblastoma, laboratório de patologia molecular e o primeiro hospice pediátrico do país. A TUCCA | Santa Marcelina Saúde apresenta índices de cura de 80%, comparáveis aos principais centros internacionais, e integra o programa global de câncer pediátrico do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK).
Ao longo de mais de 25 anos, a parceria já beneficiou aproximadamente 6 mil crianças e jovens, demonstrando que é possível democratizar a excelência oncológica por meio da sinergia entre capacidade instalada e investimento estratégico via filantropia.



