Cannabis medicinal pode aliviar sintomas da menopausa, indicam pesquisas
Estudos apontam melhora no sono e na ansiedade; especialista explica uso seguro da planta
Neste domingo (18) é celebrado o Dia Mundial da Menopausa, data instituída pela Sociedade Internacional da Menopausa (IMS) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar sobre essa fase da vida da mulher, que ainda é pouco discutida e acompanhada.
No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres estão no climatério, período de transição que antecede e sucede a última menstruação, marcado por sintomas como ondas de calor, insônia, irritabilidade e ansiedade, cuja intensidade varia entre as mulheres.
Com mais de 873 mil brasileiros em tratamento com cannabis medicinal, segundo o Anuário 2025 da Kaya Mind, cresce o interesse feminino sobre o uso da planta para aliviar sintomas da menopausa.
Uma pesquisa da Universidade de Alberta, no Canadá, com 1.485 mulheres de idade mediana de 49 anos, revelou que 34% usavam cannabis e a maioria relatou alívio dos sintomas. Nos Estados Unidos, levantamento do McLean Hospital, ligado à Escola de Medicina de Harvard, com 258 mulheres na perimenopausa e pós-menopausa, apontou que os principais motivos para uso eram distúrbios do sono (67%) e questões de humor e ansiedade (46%).
De acordo com especialistas, o estrogênio atua em conjunto com o sistema endocanabinoide, que regula sono, humor e temperatura corporal. A queda hormonal da menopausa altera esse equilíbrio, e os canabinoides podem atuar nesse ponto. Pesquisadores de Harvard indicam sono e ansiedade como os alvos mais promissores para futuros ensaios clínicos com terapias à base de canabinoides.
Mariana Maciel, médica da biotech canadense Thronus Medical, destaca que muitas mulheres relatam melhora no sono e redução da ansiedade após iniciar o tratamento com cannabis, mas reforça que o uso deve ser feito com prescrição e acompanhamento médico.
A especialista explica que a cannabis não substitui a terapia hormonal, podendo ser usada em conjunto com orientação ginecológica, iniciando com doses baixas e ajustando conforme necessário. Ela também esclarece que o CBD isolado não tem efeito psicoativo e que o THC, quando usado, é em dose controlada e com indicação específica.
Para quem deseja discutir o assunto com o médico, a recomendação é levar uma lista dos medicamentos e suplementos usados e relatar os sintomas mais incômodos para avaliar a adequação do tratamento com cannabis.



