Bruna Marquezine revela desejo de ser mãe: quando o desejo deve virar planejamento?

Especialistas explicam a importância do planejamento reprodutivo e esclarecem dúvidas sobre fertilidade e congelamento de óvulos

Aos 31 anos, a atriz Bruna Marquezine manifestou o desejo de ser mãe e formar uma família, tema que reacende o debate sobre planejamento reprodutivo entre mulheres da mesma faixa etária. Segundo especialistas, pensar na fertilidade antes dos 35 anos pode ampliar as possibilidades de escolha no futuro.

De acordo com a ginecologista e obstetra Dra. Núbia Fontes, planejamento reprodutivo não significa marcar uma data para engravidar ou decidir imediatamente pelo congelamento de óvulos, mas sim oferecer informação para que a mulher possa tomar decisões conscientes sobre seu futuro. “Muitas mulheres começam a pensar na fertilidade somente quando decidem engravidar, mas a idade dos óvulos é um fator importante. Conhecer isso com antecedência permite avaliar possibilidades sem transformar o assunto em uma corrida contra o tempo”, explica.

Não existe uma idade exata para iniciar o planejamento, mas a fertilidade feminina muda progressivamente com a idade, principalmente em relação à quantidade e qualidade dos óvulos. Os 35 anos são frequentemente citados como referência, pois a qualidade dos óvulos tende a diminuir com o avanço da idade. “Os 35 anos não funcionam como uma data de validade, mas quanto mais jovem a mulher no momento do congelamento, maior tende a ser a qualidade dos óvulos preservados”, afirma Núbia.

Para mulheres na faixa dos 30 anos que desejam ser mães, uma consulta de planejamento pode ajudar a entender o cenário individual, considerando idade, histórico clínico, antecedentes familiares, reserva ovariana e projetos pessoais, segundo a ginecologista e obstetra Dra. Larissa Abib Daun, especialista em Reprodução Assistida. “A fertilidade feminina não cai de um dia para o outro. A idade é um dos fatores mais importantes quando falamos sobre qualidade dos óvulos. O objetivo é oferecer informação para que a mulher planeje sua vida reprodutiva com mais consciência”, destaca.

O congelamento de óvulos é uma estratégia para preservar a fertilidade, mas não garante uma gravidez futura. “Ele pode ampliar as possibilidades reprodutivas, mas o resultado depende de diversos fatores e não há garantia de que cada óvulo congelado dará origem a uma gestação”, esclarece Larissa. A mulher pode congelar seus óvulos e nunca utilizá-los, caso engravide espontaneamente no futuro.

Quanto à maternidade após os 40 anos, a médica especialista em saúde hormonal Dra. Bruna Manes alerta que, apesar dos avanços da reprodução assistida, o relógio biológico continua influenciando. “A mulher pode estar saudável e se sentir jovem aos 40 anos, mas biologicamente os ovários seguem outro ritmo”, explica. Além disso, o aumento da idade está associado a maior proporção de óvulos com alterações cromossômicas, o que pode afetar as chances de gravidez e evolução da gestação.

Por fim, falar sobre fertilidade aos 30 anos não significa decidir que é hora de ser mãe, mas sim ganhar informação para que a escolha seja feita com autonomia e sem pressa. “Autonomia reprodutiva também é ter acesso à informação no momento certo. A mulher não precisa congelar óvulos apenas por ter atingido determinada idade, assim como não deve descobrir suas possibilidades somente quando decide engravidar”, conclui Larissa Abib Daun.

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