“Super El Niño” pressiona novos governadores a priorizar tecnologia para prevenção de desastres
Fenômeno climático deve durar até início de 2027 e exige integração de dados e inteligência artificial para mitigar riscos no Brasil
Com 95% de chance de um El Niño muito forte no final de 2026, os governadores eleitos enfrentarão o desafio urgente de mitigar desastres climáticos ao assumirem seus cargos em 2027, segundo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgado em 30 de setembro. O fenômeno, que aquece as águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera ventos, chuvas e temperaturas, deve persistir durante o verão de 2026/2027, ampliando riscos de enchentes, secas e incêndios no Brasil.
O Sul do país é a região mais afetada, como evidenciado pelas enchentes de julho no Rio Grande do Sul, consideradas os primeiros impactos do fenômeno. Para enfrentar esses desafios, os novos governos precisarão combinar tecnologia, dados e equipes preparadas, destaca Fernando Eduardo Cardoso, coordenador do curso de Administração Pública da UNIASSELVI.
Segundo Cardoso, a tecnologia pode ser parte essencial da infraestrutura de proteção da população, especialmente quando diferentes fontes de dados ambientais são integradas para fornecer informações operacionais à Defesa Civil e gestores municipais e estaduais.
O Brasil já conta com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que ampliou sua rede de monitoramento para 1.295 municípios em março de 2026, com meta de alcançar 2.095 municípios prioritários. O Cemaden também utiliza inteligência artificial para antecipar inundações em até duas horas e projetar avanços de secas rápidas no Nordeste e Amazônia.
Cardoso ressalta que o alerta só é eficiente se chegar rapidamente à população e desencadear uma resposta organizada. “É preciso transformar a previsão em tempo de resposta, e tempo de resposta em redução de danos”, afirma.
Além da prevenção de desastres, a integração de dados e o uso da inteligência artificial podem melhorar serviços públicos em saúde, educação, segurança, mobilidade e assistência social, evitando sistemas isolados e burocracias digitais ineficientes.
O especialista recomenda que os governos estaduais priorizem serviços mais usados e de maior impacto, avançando em etapas: infraestrutura e segurança como base; integração entre sistemas; digitalização dos serviços prioritários; e uso avançado de IA e automação onde houver dados e processos maduros.
Para que isso funcione, é fundamental capacitar servidores para compreender, questionar, governar e auditar as tecnologias, garantindo critérios claros, proteção de dados e supervisão humana.
“Sem dados de qualidade, sistemas integrados e equipes preparadas, a tecnologia apenas acelera processos antigos; com esses elementos, pode transformar a forma como o Estado planeja, decide e entrega valor à sociedade”, conclui Cardoso.
Sobre a UNIASSELVI
A UNIASSELVI é uma das mais conceituadas instituições de ensino superior do Brasil, oferecendo mais de 500 cursos nas modalidades presencial, semipresencial e a distância. Presente em todos os estados brasileiros, conta com mais de 1,3 mil polos e 16 unidades presenciais, sendo a única instituição de grande porte nacional a receber nota máxima no Recredenciamento Institucional pelo Ministério da Educação (MEC).



