Outubro Rosa: nutrição e fertilidade para mulheres após câncer de mama

Especialista explica cuidados nutricionais e preservação da fertilidade para quem deseja engravidar após o tratamento oncológico

O Outubro Rosa, além de reforçar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, também destaca a importância da maternidade após o tratamento da doença. Com os avanços nas terapias, muitas mulheres podem planejar uma gravidez, desde que acompanhadas por uma equipe médica especializada, segundo Amanda Figueiredo, nutricionista clínica pela USP e pós-graduada em saúde da mulher e reprodução humana pela PUC.

De acordo com Amanda, a gravidez após o câncer de mama é possível e não parece aumentar o risco de recidiva, mas deve ser uma decisão tomada com cuidado e acompanhamento médico. Alguns tratamentos, como certos quimioterápicos, podem reduzir a reserva ovariana e levar à insuficiência ovariana precoce, além da hormonioterapia que pode durar de cinco a dez anos, período em que a gestação é contraindicada.

A nutricionista destaca que a alimentação tem papel fundamental para preparar o corpo para a concepção. Ela recomenda priorizar o padrão mediterrâneo, que inclui verduras, legumes, frutas, grãos integrais, leguminosas, azeite de oliva extravirgem, peixes e oleaginosas, por ser anti-inflamatório e rico em fibras e antioxidantes, favorecendo a fertilidade e a saúde a longo prazo.

Além disso, é importante cuidar do peso e da massa muscular, evitando dietas restritivas e focando na recuperação muscular com proteína adequada e exercícios, para reduzir a inflamação e melhorar o prognóstico. Amanda alerta para o uso cauteloso de suplementos, que devem ser avaliados por oncologista e nutricionista, recomendando o ácido fólico antes da gestação e a avaliação da vitamina D e saúde óssea.

O consumo de álcool deve ser evitado, pois é fator de risco para o câncer de mama e prejudica a fertilidade. A especialista também ressalta a importância de discutir a preservação da fertilidade antes do início do tratamento oncológico, com técnicas como congelamento de óvulos ou embriões, para ampliar as possibilidades futuras.

“Cuidar da mulher após o câncer inclui cuidar dos seus sonhos. A maternidade pode fazer parte desse futuro, e uma equipe multidisciplinar faz toda a diferença nesse caminho”, conclui Amanda Figueiredo.

Sobre Amanda Figueiredo: Nutricionista clínica pela USP, especializada em fertilidade, gestação, pós-parto, endometriose e SOP, com pós-graduação em saúde da mulher e reprodução humana pela PUC e extensão internacional em Nutrição e Estilo de Vida na Gestação pela Universidade de Munique. Professora convidada de Nutrição Materno-Infantil na FSP/USP.

👁️ 17 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar