Dia do Médico: SBD alerta sobre o uso da inteligência artificial na medicina
Sociedade Brasileira de Dermatologia reforça que tecnologia não substitui consulta médica e destaca regras do Conselho Federal de Medicina
No próximo domingo, 18 de outubro, Dia do Médico, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove uma reflexão sobre o uso da inteligência artificial (IA) na medicina, ressaltando que a tecnologia não substitui a consulta médica. A entidade destaca ainda a Resolução nº 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelece regras para o uso da IA na prática médica.
De acordo com o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui, "cada paciente tem características e necessidades próprias, que precisam ser consideradas em uma avaliação individualizada. Uma resposta fornecida por uma ferramenta de IA pode até trazer informações gerais, mas não substitui a análise do histórico, dos sintomas, dos exames e de outros aspectos que fazem parte da avaliação médica".
A SBD alerta para os riscos do uso da IA para criar ou manipular vídeos e imagens de pessoas que se apresentam como profissionais de saúde, podendo gerar uma falsa aparência de autoridade médica. O Dr. Sérgio Palma, membro da diretoria da SBD, reforça que "uma notícia falsa não é apenas um problema de informação. Na Medicina, ela pode se transformar em um problema de saúde. Conteúdos que prometem curas milagrosas, incentivam o abandono de tratamentos, recomendam medicamentos sem respaldo ou direcionam para a compra de produtos devem ser vistos com atenção redobrada".
A entidade recomenda que a população verifique se o profissional possui registro no Conselho Regional de Medicina por meio do Portal de Busca por Médicos do CFM e confirme se o conteúdo foi realmente publicado pelo profissional, já que imagens e vozes podem ser usadas indevidamente.
Na Dermatologia, especialidade que trabalha intensamente com imagens e reconhecimento de padrões, a IA tem avançado rapidamente. Existem sistemas capazes de analisar imagens dermatoscópicas e outros exames, contribuindo para o diagnóstico diferencial e o acompanhamento dos pacientes. Segundo o Dr. Bruno Simão, do Departamento de Telemedicina da SBD, "a inteligência artificial pode ampliar a capacidade do médico, mas não substitui julgamento clínico, conhecimento, experiência nem a responsabilidade profissional pelas decisões tomadas com seu uso. É preciso avaliar a qualidade das evidências, as limitações, o contexto de uso e a segurança dessas ferramentas".
A Resolução nº 2.454/2026 do CFM reconhece a IA como ferramenta de apoio à prática médica, à decisão clínica, à gestão em saúde, à pesquisa científica e à educação médica continuada, mas reforça que a tecnologia não substitui a autonomia, o julgamento crítico e a decisão final do médico.
Dr. Carlos Barcaui destaca que "não me parece tão importante saber quem vence uma disputa entre médico e máquina. Interessa saber o que acontece quando trabalhamos juntos. A evidência mostra que uma inteligência artificial de boa qualidade pode melhorar o desempenho diagnóstico do médico, mas uma informação errada fornecida pela máquina também pode induzir ao erro. Além disso, uma imagem não conta toda a história de um paciente".
Para a SBD, o debate é sobre como a tecnologia é utilizada e por quem. Para o paciente, significa não substituir uma consulta médica por uma ferramenta de IA e verificar a habilitação de quem oferece orientações de saúde na internet. Para o médico, significa usar as novas tecnologias específicas para medicina como ferramentas de apoio, mantendo o julgamento clínico e a responsabilidade profissional sobre as decisões tomadas.
Para saber mais sobre saúde da pele, cabelos e unhas, a SBD recomenda acompanhar suas redes sociais @dermatologiasbd e o site www.sbd.org.br, onde é possível encontrar um dermatologista associado em sua região.



