É pecado se masturbar? Especialista esclarece confusão entre masturbação e pornografia e seus impactos na sexualidade masculina
A psicóloga Lucimar Ghelfi, cofundadora da healthtech Lucy, explica como a associação entre masturbação e pornografia pode alimentar a culpa masculina e afetar a saúde sexual
“É pecado se masturbar?” Essa pergunta ainda revela os tabus que cercam a sexualidade masculina. De acordo com a psicóloga e psicoterapeuta sexual Lucimar Ghelfi, cofundadora da Lucy, empresa especializada em terapia cognitivo-comportamental para saúde sexual masculina, a masturbação isoladamente é uma prática comum e uma ferramenta importante de autoconhecimento, ajudando o homem a entender sua excitação e resposta sexual.
Lucimar destaca que a confusão entre masturbação e consumo de pornografia pode distorcer essa percepção. “É importante separar as duas coisas. A masturbação, isoladamente, não é um comportamento que precisa ser tratado como um problema. A questão muda quando está necessariamente associada ao consumo de pornografia e esse conteúdo passa a ser a principal ou única forma de estímulo sexual para aquele homem”, explica.
O consumo frequente e rígido de pornografia pode levar alguns homens a depender desse tipo específico de conteúdo para se excitar, o que pode resultar em dificuldades para obter prazer e orgasmo, distúrbios ejaculatórios, prejuízos na resposta sexual e disfunção erétil, segundo Lucimar. Ela alerta que os sinais de alerta aparecem quando o conteúdo se torna indispensável para a excitação ou orgasmo, o consumo aumenta progressivamente, substitui experiências de intimidade ou interfere na vida sexual, afetiva e cotidiana.
Lucimar ressalta que não é a masturbação que precisa ser abandonada nesses casos, mas sim ampliar as formas de estímulo e prazer para reduzir a dependência de um único recurso.
Sobre a ideia de pecado, a especialista explica que diferentes religiões e comunidades possuem interpretações distintas sobre a prática, e nem sempre as condenações atribuídas à Bíblia fazem referência direta à masturbação. “Uma crença pode determinar como uma pessoa escolhe conduzir sua vida sexual, e isso deve ser respeitado. O problema é quando a culpa gera sofrimento, impede o homem de compreender a própria sexualidade ou dificulta a busca por ajuda”, afirma.
Na perspectiva da saúde sexual, o importante é entender o papel da masturbação na vida do homem e se existe liberdade de escolha em relação aos estímulos utilizados. Conhecer diferentes formas de prazer e entender os próprios padrões pode fazer parte de uma vida sexual saudável. O alerta surge quando um comportamento deixa de ser uma escolha e passa a limitar a resposta sexual, os relacionamentos ou a rotina.
Sobre a Lucy
A Lucy é uma empresa de saúde sexual masculina fundada por Lucimar Ghelfi e outros especialistas, que oferece protocolos terapêuticos baseados em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Seu método, desenvolvido ao longo de 40 anos por Lucimar, é validado pela Sociedade Brasileira de Urologia e já foi apresentado em congressos nacionais e internacionais. A empresa já atendeu mais de 34 mil usuários por meio de seu aplicativo próprio, que oferece acompanhamento estruturado para melhorar a qualidade da vida sexual masculina.



