Como a lógica dos videogames pode ajudar seu filho a se motivar nos estudos
Especialista explica estratégias para usar mecanismos dos jogos e melhorar o aprendizado na reta final do ano letivo
Na reta final do ano letivo, muitos pais se preocupam com a recuperação escolar dos filhos. Segundo Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil e fundador da Kaizen Mentoria, a lógica dos videogames pode ser uma grande aliada para engajar os alunos nos estudos.
De acordo com Cornetta, nos jogos, o objetivo é claro, o jogador recebe indicações sobre seus erros, acompanha a própria evolução e tenta novamente. Esses mesmos mecanismos podem tornar as dificuldades visíveis no aprendizado, ajudar a reconhecer pequenos avanços e mostrar o que precisa ser ajustado no desempenho.
Uma meta-análise de 22 estudos experimentais, publicada em 2024 no British Journal of Educational Technology, apontou um efeito moderadamente positivo da gamificação no desempenho dos alunos em testes, embora os resultados ainda sejam debatidos na literatura. Isso indica que os jogos não substituem o professor, mas alguns recursos podem funcionar como ferramentas complementares de aprendizagem.
Cornetta destaca que, nos games, o erro raramente é uma sentença final, mas indica que a estratégia precisa mudar e geralmente oferece uma nova oportunidade. Já nos estudos, muitos alunos veem a nota e passam direto para a próxima atividade, sem entender o que aconteceu, o que pode levar a uma leitura equivocada da dificuldade como incapacidade.
Outro diferencial importante é a percepção do progresso, que nos games é visual e imediata. Nos estudos, como os resultados podem demorar a aparecer, reconhecer pequenas conquistas ao longo do caminho é fundamental para que o aluno perceba sua evolução e encontre sentido no próximo passo.
O especialista ressalta que o foco do reforço escolar deve estar menos no tempo dedicado aos livros e mais na compreensão do que precisa ser corrigido. “Antes de perguntar ‘quantas horas preciso estudar?’, é preciso perguntar ‘o que me fez errar?’. Quando identifica a origem do problema, o estudante consegue escolher uma estratégia mais adequada”, explica Cornetta.
É importante considerar que jogar sempre será uma atividade mais confortável e divertida do que estudar, e o lazer é a escolha natural para qualquer adolescente. Contudo, adaptar a lógica dos games para o aprendizado facilita essa jornada e, com o tempo, ajuda o aluno a tomar gosto pelo estudo ao perceber sua própria evolução.
Para pais e responsáveis, essa abordagem muda a conversa durante a recuperação escolar. Em vez de perguntar apenas quanto o filho estudou ou qual foi a nota, vale saber o que ele descobriu sobre a própria dificuldade e qual será o próximo passo. “Estudar não é permanecer diante de um livro por certo número de horas. O aluno precisa saber o que quer aprender, perceber onde erra e avaliar se a estratégia está funcionando. Assim, recuperar uma nota vira uma oportunidade de aprender a estudar com mais consciência”, conclui Cornetta.
Sobre a Kaizen: Fundada em 2020, a Kaizen é uma startup de educação focada em mentorias personalizadas para estudantes do Ensino Fundamental ao Superior. Combinando orientação acadêmica, personalização de estudos e tecnologia, a empresa já atendeu milhares de alunos em diversas regiões do país, promovendo autonomia, estrutura e desempenho.



