Fusões na saúde caem 54,5% no Brasil no 1º semestre
Levantamento da Acorn Advisory, com dados da TTR Data, aponta 10 transações e maior seletividade nas negociações.
O mercado de fusões e aquisições na saúde brasileira começou 2026 em ritmo menor: foram registrados 10 negócios no primeiro semestre, queda de 54,5% em relação às 22 operações da primeira metade de 2025. O levantamento é da Acorn Advisory, consultoria especializada em M&A, com base em dados da TTR Data.
Para quem acompanha os movimentos por trás de hospitais, clínicas, laboratórios e empresas de produtos de saúde, o dado aponta um cenário de maior cautela — não necessariamente de falta de interesse. Segundo Gabriel Silva, sócio da Acorn Advisory, parte dos grupos que tiveram presença importante na consolidação do setor passou a concentrar esforços na própria operação.
Por que o ritmo das aquisições desacelerou
Na avaliação de Silva, a Hapvida/NotreDame tem buscado simplificar a estrutura e recuperar a rentabilidade; a Dasa reorganiza o portfólio e trabalha na redução do endividamento; e a Oncoclínicas enfrenta uma agenda de reestruturação financeira. A Amil, por sua vez, vive mudanças desde a troca de controle e a reorganização dos ativos hospitalares em associação com a Dasa.
“Depois de um período de muitas aquisições, parte dessas empresas passou a dedicar mais atenção à operação que já construiu”, afirma o sócio da Acorn Advisory. Segundo ele, esse processo consome capital e atenção da gestão, o que pode reduzir o espaço para novas compras.
Os juros também pesam nas negociações. “Essa combinação ajuda a explicar um mercado mais seletivo e negociações que podem levar mais tempo para se concretizar”, acrescenta Silva, em referência ao custo de financiar aquisições e à dificuldade de chegar a preços que atendam compradores e vendedores.
Negócios cross-border ganham participação
As operações classificadas pela TTR Data como cross-border caíram de 11 para seis entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Ainda assim, sua participação no total avançou de 50% para 60%, pois os negócios domésticos recuaram de 11 para quatro.
Entre julho de 2023 e junho de 2026, a base analisada pela Acorn Advisory reuniu 140 registros: 60 cross-border e 80 domésticos. A consultoria ressalta que essa classificação não mede isoladamente a entrada de capital estrangeiro no Brasil, pois também inclui compras de ativos brasileiros por grupos nacionais quando o vendedor é estrangeiro, além de subsidiárias locais de grupos internacionais.
Nos registros com valor informado, o ticket médio das transações cross-border foi de R$ 948,2 milhões, ante R$ 211,3 milhões nas domésticas, segundo a Acorn Advisory. A consultoria alerta que o cálculo considera nove negócios cross-border e 24 domésticos; por isso, reflete a composição dessas amostras e não permite concluir que compradores estrangeiros paguem mais por empresas equivalentes.
Nefrologia e diálise concentram aquisições de clínicas
Dentro dos 60 registros cross-border, clínicas e atenção primária somaram 12 operações. Desse grupo, 10 envolveram ativos de nefrologia e diálise. A DaVita aparece como compradora em oito desses 10 registros, segundo a base analisada pela Acorn Advisory.
Silva avalia que empresas seguem interessadas em crescer por aquisição, para ampliar presença regional ou incorporar especialidades, produtos e tecnologia. Mas o ritmo dependerá de preço, financiamento, qualidade dos ativos e possibilidade de integração. “Seria cedo para projetar uma aceleração em 2027”, finaliza.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



