Aluguel e financiamento levam 74% a cortar gastos, diz pesquisa
Levantamento da Habitat para a Humanidade Brasil expõe a pressão da moradia no orçamento e reforça a importância de agir antes da inadimplência.
Manter um teto tem exigido escolhas duras de muitas famílias brasileiras. Pesquisa da Habitat para a Humanidade Brasil, realizada com 1.400 brasileiros entre abril e junho de 2026, mostra que 74% dos entrevistados reduziram pelo menos uma despesa no último ano para conseguir pagar custos de habitação, como aluguel ou financiamento. Entre as pessoas sem casa própria, 48% afirmaram ter cortado gastos com alimentação.
O levantamento também indica que 34% precisaram reduzir despesas essenciais, incluindo alimentação, medicamentos e vestuário. Além disso, 56% dizem temer que um imprevisto prejudique sua capacidade de continuar vivendo onde estão. Quando o orçamento chega a esse limite, a preocupação não é apenas financeira: atrasos podem trazer consequências jurídicas diferentes para inquilinos e pessoas com financiamento imobiliário.
Quando buscar renegociação do aluguel ou financiamento
Para o advogado Stéfano Ribeiro Ferri, sócio-fundador do Stéfano Ferri Advogados e especialista em Direito do Consumidor, um sinal de alerta é quando a moradia passa a consumir uma parcela tão alta da renda que a família recorre repetidamente ao cartão de crédito, a empréstimos ou deixa de pagar outras necessidades para manter esse compromisso.
“O ideal é não esperar o primeiro atraso para procurar uma solução. A renegociação antecipada costuma oferecer mais alternativas do que uma negociação feita depois que a dívida já se acumulou”, explica Ferri.
Segundo o especialista, no aluguel pode haver espaço para conversar sobre valores, prazos ou uma desocupação planejada. Nos financiamentos, as alternativas dependem do contrato e da situação concreta, podendo incluir opções oferecidas pela própria instituição financeira para reorganizar os pagamentos.
Atraso não garante período fixo de tolerância
Ferri alerta que não existe uma regra geral que assegure três, seis ou outro número fixo de meses de tolerância para o atraso do aluguel. A falta de pagamento pode resultar em ação de despejo e cobrança dos valores devidos, embora a legislação preveja mecanismos que, em determinadas situações, podem permitir a quitação da dívida e evitar a rescisão contratual.
Segundo Stéfano Ribeiro Ferri, no financiamento imobiliário a dinâmica é diferente: em contratos submetidos à alienação fiduciária, o imóvel pode chegar à consolidação da propriedade em nome do credor após o procedimento legal de constituição em mora. “Não é correto imaginar que a instituição financeira precisa necessariamente esperar vários meses de atraso para iniciar o procedimento”, afirma o advogado.
Cuidados antes de assumir novas dívidas
De acordo com Ferri, usar continuamente empréstimos ou cartão de crédito para bancar aluguel ou financiamento pode transformar uma dificuldade pontual em um endividamento maior. A revisão judicial de cláusulas ou cobranças, por sua vez, só cabe quando houver efetivamente irregularidade ou fundamento jurídico; a redução da capacidade de pagamento, isoladamente, não altera um contrato de forma automática.
O especialista também cita os mecanismos de prevenção e tratamento do superendividamento quando a pressão com a moradia integra um conjunto mais amplo de dívidas. Entre os cuidados apontados por ele estão analisar o contrato antes de renegociar, não ignorar notificações e avaliar renda e dívidas da família antes de assumir novos compromissos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



