Artesanato em São Paulo: 729 carteiras emitidas em 2026
Ações itinerantes do Empreendedor Artesão passaram por 14 municípios e destacam trajetórias de renda, memória e cultura.
O artesanato ganha espaço como profissão, fonte de renda e guardião de memórias em diferentes regiões de São Paulo. Em 2026, o programa Empreendedor Artesão, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE), realizou 14 ações itinerantes e emitiu 729 Carteiras Estaduais do Artesão e Artesã, segundo a secretaria. O documento reconhece a atividade profissional e amplia o acesso a políticas de apoio ao setor.
As ações chegaram a Itapetininga, Mongaguá, São João da Boa Vista, Peruíbe, Itatiba, Paulínia, Santa Branca, Osvaldo Cruz, Tupã, Iguape, Sales Oliveira, Luís Antônio, Dracena e Presidente Prudente. De acordo com a SDE, entre as possibilidades vinculadas ao programa estão suporte técnico, participação em feiras, oportunidades de comercialização, qualificações e orientações sobre linhas de crédito do Banco do Povo Paulista.
Da mudança de carreira ao barro
Na capital paulista, a artesã Giovana Fortini, de 59 anos, encontrou na cerâmica um novo rumo profissional depois de deixar o trabalho como gestora em uma agência de eventos corporativos, conforme relato apresentado pela SDE. A mudança começou em um curso noturno na Mooca e ganhou força durante uma viagem a Cunha, quando ela passou a enxergar a paixão como possível profissão.
“Sou completamente apaixonada pela cerâmica. Meu coração e minha alma ficam felizes quando estou com um pedaço de barro nas mãos. É meu momento de conexão, de silêncio e de presença. A cerâmica é meu reencontro comigo mesma”, afirma Giovana.
Segundo o material da SDE, o sonho da artesã é ter um ateliê próprio, onde pretende produzir, ensinar e criar encontros para troca de saberes entre profissionais.
Ofício que atravessa gerações
Em São Sebastião, no litoral paulista, o Ateliê Nicinho produz peças de madeira inspiradas na cultura caiçara, de acordo com a SDE. Fundado pelo Mestre Nicinho, de 81 anos, o espaço é conduzido principalmente por seu filho, Lindomar dos Santos, de 57 anos, que aprendeu o ofício ainda criança.
“Hoje temos o meu pai, que é o mestre e foi quem me ensinou. Minha irmã ajuda na pintura, meu filho também faz algumas coisas e, na verdade, toda a família acaba se envolvendo”, explica Lindomar. Segundo ele, a participação de parceiros e familiares contribuiu para que o ateliê se tornasse um ponto de referência da cultura caiçara em São Sebastião.
Lindomar também relata que o local recebe escolas e promove oficinas para aproximar crianças do artesanato. “Nossa loja é também um espaço de vivência”, conta.
Palha de milho, trabalho e memória
No interior, em Guapiara, a mestra artesã Alice de Oliveira, de 58 anos, retomou o trabalho manual em 2005, após ser convidada a ensinar um grupo de mulheres a trabalhar com palha de milho, segundo a SDE. Filha de artesãos, ela aprendeu desde pequena com o pai, que produzia peças de bambu, e a mãe, que trabalhava com palha.
“O artesanato representa oportunidade de trabalho, de você conhecer pessoas, viajar e poder fazer da sua arte o seu trabalho”, afirma Alice. Conforme a SDE, uma das matérias-primas de suas peças é a palha de milho naturalmente colorida, obtida de variedades de milho crioulo cultivadas pela família e retomadas após ela encontrar um agricultor da região que preservava uma dessas variedades.
“Para mim, a arte também é preservar a vida, a nossa história e a nossa cultura”, conclui a artesã.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



