Ansiedade nas redes: 73% das menções não falam de transtornos
Levantamento da Polis Consulting no X mostra que o termo também expressa expectativa e entusiasmo no cotidiano digital.
Nas redes sociais, dizer que se está “com ansiedade” pode significar coisas muito diferentes — da expectativa pela estreia de uma série ao relato de uma experiência real de sofrimento. Um levantamento realizado por Karol Oliveira e Clarissa Prado, com apoio da Polis Consulting e uso da plataforma Brandwatch, aponta que quase 73% das menções ao termo no X, antigo Twitter, não estavam relacionadas a sintomas ou transtornos de saúde mental.
Segundo o levantamento, foram monitoradas 1.937.018 menções publicadas ao longo de setembro de 2025. Em uma amostra de 665 publicações classificadas, 162 traziam referência à ansiedade, o equivalente a 24,4% dos conteúdos analisados. A proposta do estudo não foi medir a prevalência de transtornos mentais na população, mas observar como palavras ligadas à saúde mental circulam em conversas espontâneas no ambiente digital.
Quando ansiedade virou sinônimo de expectativa
De acordo com a análise de Karol Oliveira e Clarissa Prado, a expectativa foi a emoção mais associada à palavra “ansiedade”, presente em 61,7% das menções, seguida pela tristeza, com 17,3%. No recorte que relacionava ansiedade e expectativa, 63% das publicações tinham tom positivo, 34% negativo e 2% neutro.
O levantamento também identificou 115 publicações classificadas relacionadas ao entretenimento. Séries, filmes, música, jogos e fandoms aparecem, segundo a análise, como contextos nos quais o termo é usado para comunicar entusiasmo, urgência ou antecipação diante de algo desejado.
Gildevan Carvalho, CEO da Polis Consulting, consultoria especializada em Social Intelligence, social listening, social analytics e inteligência de marketing, observa que a palavra assume sentidos distintos nas conversas digitais. “A análise mostra que a palavra ansiedade circula entre significados muito diferentes nas redes sociais. Ela pode aparecer tanto para expressar a expectativa por algo desejado quanto para descrever uma experiência real de sofrimento. Observar esse contraste ajuda a entender como a linguagem da saúde mental está sendo incorporada ao vocabulário cotidiano”, menciona.
O sofrimento também está presente nas conversas
O uso cotidiano da palavra não elimina seu peso em outros relatos. Segundo o levantamento de Karol Oliveira e Clarissa Prado, quando a ansiedade era associada à tristeza, 96,4% das menções tinham caráter negativo. Os relatos analisados incluíam referências a falta de ar, palpitações, náusea, dificuldade para dormir, sobrecarga, agitação e sensação de paralisação.
“Não se trata de afirmar que esses usos são certos ou errados, nem de dizer que a ansiedade está sendo banalizada. O que os dados permitem observar é uma transformação na forma como nomeamos nossas emoções e experiências no ambiente digital”, reforça Carvalho.
Nomear emoções também pede escuta
O contraste identificado pelo estudo chama atenção para o contexto de cada fala: em uma publicação sobre um lançamento aguardado, “ansiedade” pode funcionar como sinônimo de animação; em um relato de tristeza e sintomas físicos, pode comunicar uma vivência de sofrimento.
A psicanalista Ana Tomazelli destaca que o autocuidado pode incluir práticas simples na rotina. “Coisas mais simples, como tempo com amigos, cuidar da alimentação, tirar um tempo para o ócio, para você, sem trabalho, sem cobrança, também são parte do autocuidado”, afirma.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



