Dívidas de clubes crescem R$ 5,2 bi apesar das bets
Estudo do IPIE/UFPR indica que casas de apostas responderam por 5,8% da receita de 16 clubes brasileiros em 2025.
O dinheiro das casas de apostas cresceu no futebol brasileiro, mas não veio acompanhado de uma redução nas dívidas dos clubes. Um levantamento do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mostra que, entre 2022 e 2025, o endividamento de 15 clubes analisados passou de R$ 9,6 bilhões para R$ 14,8 bilhões — alta de R$ 5,2 bilhões.
A pesquisa analisou as finanças de 16 clubes brasileiros entre 2019 e 2025 e recoloca a gestão financeira no centro do debate sobre patrocínios de bets. Segundo o IPIE/UFPR, as casas de apostas destinaram ao menos R$ 784 milhões aos times pesquisados em 2025, quando a receita conjunta chegou a R$ 13,5 bilhões. Na prática, isso equivale a 5,8% do faturamento total.
O peso das bets nas receitas dos clubes
Embora representem cerca de um terço de todos os patrocínios mapeados pelo IPIE/UFPR, os contratos com bets tiveram participação menor no total arrecadado. No Fortaleza, clube com maior proporção dessa fonte de receita, o percentual foi de 11,5%. No Corinthians, chegou a 10,6%; no Palmeiras, a 7,5%; e no Flamengo, a 5,2%.
Em 2025, direitos de televisão e premiações responderam por 31% da receita dos 16 clubes pesquisados, de acordo com o instituto. A venda de atletas ficou com 29%, enquanto patrocínio e publicidade — incluindo as bets — somaram 17%. Bilheteria representou 5%, e o restante veio de fontes como sócio-torcedor, licenciamento de marcas e exploração de estádios.
Mais receita não significou menos dívida
O estudo do IPIE/UFPR aponta que as receitas dos clubes aumentaram 106% entre 2022 e 2025, enquanto as despesas operacionais cresceram 103%. Ainda assim, dez dos 16 times analisados fecharam 2025 com déficit operacional.
Entre os 13 clubes cujos contratos com bets puderam ser identificados, 12 terminaram 2025 com dívidas maiores do que em 2022. O Corinthians passou de R$ 910 milhões para R$ 2,4 bilhões no período. O Atlético-MG chegou a R$ 2,3 bilhões, e o Botafogo registrou R$ 1,6 bilhão, segundo o levantamento.
Para Fernando Mezzadri, coordenador-geral do IPIE, a discussão não deve se limitar ao caixa dos clubes. “Esse é um tema que precisa ser enfrentado imediatamente. Os dados estão mostrando o grande problema de endividamento das pessoas, mas não é só isso: o debate precisa ser ampliado no aspecto da saúde pública, na gestão sustentável dos clubes de futebol, no jogo responsável e na prevenção aos transtornos de jogo patológico, causados pelas bets”, afirma.
Gestão e outras fontes de financiamento
Segundo o IPIE/UFPR, vendas de atletas responderam por 36% do aumento do faturamento entre 2022 e 2025; direitos de transmissão e premiações, por 26%; e bets, por aproximadamente 11%. Outros patrocinadores adicionaram R$ 714 milhões às receitas no período, valor próximo dos R$ 730 milhões associados à expansão dos contratos com casas de apostas.
João Moretti, coordenador técnico do IPIE e presidente da Associação Brasileira de Gestão do Esporte (Abragesp), relaciona os números à administração financeira. “O grande problema do futebol brasileiro não é falta de dinheiro. É falta de gestão”, afirma. Os pesquisadores ressalvam que os dados não comprovam uma relação de causa e efeito entre a chegada das bets e o aumento das dívidas, mas mostram que essa expansão não produziu redução visível do endividamento.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



