MSF pede libertação de profissionais de saúde palestinos

Às vésperas da Assembleia Médica Mundial em Roterdã, organização defende acesso independente aos detidos e investigação de ataques a serviços de saúde.

Às vésperas da Assembleia Geral da Associação Médica Mundial (WMA, na sigla em inglês), marcada para 7 a 10 de outubro em Roterdã, Médicos Sem Fronteiras (MSF) pede que entidades médicas pressionem pela libertação de profissionais de saúde palestinos detidos por Israel. Em artigo assinado pelo Dr. Javid Abdelmoneim, presidente internacional da organização, MSF também defende acesso independente aos detidos e investigações sobre ataques a serviços de saúde.

Abdelmoneim afirma que a reunião deve ser um teste para os compromissos éticos da WMA. A associação já adotou uma resolução sobre a proteção dos serviços de saúde em situações de conflito; segundo o presidente de MSF, o desafio agora é obter o apoio explícito das associações médicas e mobilizar sua influência junto aos governos.

Profissionais detidos e casos citados por MSF

O artigo afirma que mais de 1.700 profissionais de saúde foram mortos em Gaza e que centenas foram detidos sem acusação formal. Segundo o texto, mais de 80 profissionais permanecem sob custódia israelense, incluindo pelo menos 14 médicos de Gaza detidos sem acusação. MSF também relata detenções de profissionais desde 7 de outubro de 2023 e diz que alguns estão presos há mais de 600 dias.

Entre os casos destacados está o do Dr. Hussam Abu Safiya, pediatra que dirigia o Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza. De acordo com MSF, ele está detido há mais de 18 meses, sem acusação, sob a Lei de Combatentes Ilegais de Israel. A organização relata que ele enfrenta confinamento solitário prolongado, perda severa de peso e doenças pré-existentes não tratadas. O artigo informa que uma petição internacional por sua libertação reuniu signatários de 41 países.

O texto também cita o Dr. Mazen Al-Rantisi, médico de família de 71 anos de Ramallah, preso em junho de 2026, e o Dr. Mohammed Hassan Ali Obeid, cirurgião ortopédico palestino de 43 anos e pai de três filhos. MSF afirma que Obeid está detido há mais de 600 dias, sem acusação formal.

Impacto sobre pacientes e serviços de saúde

Abdelmoneim argumenta que a morte, detenção ou desaparecimento de profissionais afeta também os pacientes que dependem de seus cuidados. Ele caracteriza a detenção e os abusos contra profissionais palestinos como parte de um esforço para comprometer a capacidade de prestar atendimento. Essa é a avaliação apresentada pelo presidente de MSF no artigo.

Como contexto, o texto atribui à Organização Mundial da Saúde (OMS) o registro de mais de 790 ataques a serviços de saúde, afetando 125 unidades, entre elas 34 hospitais. Também informa que cerca de 90% da infraestrutura de saúde de Gaza foi destruída ou danificada. Para a Cisjordânia, cita dados da OMS sobre 98 ataques nos primeiros sete meses de 2026, com 87 mortes e mais de 1.600 feridos. MSF descreve obstáculos a ambulâncias e pacientes que precisam de diálise ou tratamento oncológico.

O artigo acrescenta que especialistas da ONU afirmaram, em agosto de 2025, que a destruição sistemática do sistema de saúde equivale a “medicídio”. A expressão é atribuída aos especialistas no texto de MSF.

O que a organização pede

MSF pede que a WMA exija publicamente a libertação dos profissionais detidos arbitrariamente, incluindo Abu Safiya, Al-Rantisi e Obeid, e pressione por acesso independente às pessoas sob custódia. A organização também defende investigações rápidas, transparentes e imparciais sobre ataques a serviços de saúde em Gaza e na Cisjordânia, com divulgação pública das conclusões.

Para Abdelmoneim, a Assembleia de Roterdã deve reafirmar que a proteção de profissionais de saúde vale em todos os lugares. Seu apelo é dirigido à WMA, às associações médicas e às autoridades, para que os princípios de proteção sejam acompanhados por medidas concretas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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