Compra de medicamentos para saúde mental cresce 12% no Brasil
Levantamento com 34.823 beneficiários destaca avanço maior entre jovens e predominância feminina
A compra de medicamentos relacionados à depressão e ansiedade cresceu 12% em um ano no Brasil, conforme levantamento da Vidalink divulgado pela CNN Brasil. A análise considerou 34.823 beneficiários que adquiriram ao menos um medicamento ligado à saúde mental entre janeiro de 2025 e junho de 2026.
O destaque ficou para a Geração Z, que apresentou o maior avanço: no primeiro semestre de 2026, houve 15% mais compradores, 19% mais compras e 21% a mais em valor gasto em comparação ao período anterior. Essa geração também teve um aumento de 0,6 ponto percentual na participação entre compradores, a maior variação observada entre as faixas etárias.
Predominância feminina entre compradores
As mulheres representaram 64,1% dos compradores nos períodos analisados, enquanto os homens corresponderam a 35,9%. Essa proporção é consistente com outros estudos sobre busca por cuidado em saúde mental no Brasil, que indicam maior prevalência de diagnósticos entre mulheres e barreiras culturais que afastam homens da procura por ajuda.
Crescimento em todas as faixas etárias
O aumento nas compras não se restringiu aos jovens. Entre os Millennials, o número de clientes subiu 10,2%, as compras aumentaram 12,1% e o valor total cresceu 16,8%. A Geração X registrou altas de 7,1% em clientes, 10,5% em pedidos e 14,3% em valor. Já os Baby Boomers tiveram crescimento mais discreto, com 3,5% em compradores e 4,7% em quantidade de compras.
O valor total transacionado pela plataforma passou de R$ 10 milhões para R$ 11,5 milhões, um aumento de 15,3%. O crescimento do valor acima do número de compradores sugere tratamentos mais longos, compras recorrentes ou maior custo por pessoa, embora o levantamento não detalhe esses aspectos.
Limitações e interpretações dos dados
O levantamento é baseado em uma base de benefícios corporativos, ou seja, pessoas empregadas com acesso a benefícios de saúde, o que não representa toda a população brasileira. Trabalhadores informais, desempregados e usuários exclusivos do SUS não estão contemplados, o que pode indicar um cenário mais complexo fora desse recorte.
Além disso, o aumento nas compras de medicamentos não equivale necessariamente a um aumento nos diagnósticos ou ao acesso a acompanhamento psicológico. “Procurar ajuda é um avanço, e esse número mostra isso. O que ele não mostra é quantas dessas pessoas tiveram acesso a acompanhamento psicológico junto do tratamento medicamentoso”, afirma Caroline Macarini, psicóloga e cofundadora da Unolife. Ela ressalta que “medicação é indicação médica e tem seu lugar, mas cuidado em saúde mental não se resume a uma receita. Quando o acompanhamento não cabe no bolso, o acesso fica pela metade.”
Esses dados ajudam a dimensionar parte da procura por medicamentos, mas não substituem informações sobre diagnóstico, acesso a outros cuidados ou a experiência de quem está fora da base analisada. Compreender o cenário da saúde mental no Brasil requer considerar esses limites.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



