Câncer de mama: o que saber sobre exames e prevenção

INCA estima 78.610 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028; recomendações de mamografia variam conforme a idade e o risco.

O câncer de mama permanece entre os principais problemas de saúde que afetam as mulheres no Brasil. Para o triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença por ano, cerca de 5 mil a mais do que na estimativa anterior, de 73.610 casos anuais entre 2023 e 2025.

Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras e também o responsável pelo maior número de mortes por câncer nesse grupo.

Em 2024, 20.849 mulheres morreram em decorrência da doença no país, segundo dados do Atlas de Mortalidade por Câncer do INCA. Cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos.

Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Elis Nogueira, o desenvolvimento do câncer de mama está relacionado a uma combinação de diferentes fatores.

“O câncer de mama não tem uma causa única. A doença é multifatorial e envolve fatores que não podemos modificar, como idade, características genéticas e história reprodutiva, mas também fatores relacionados ao estilo de vida”, explica.

Entre os fatores associados ao aumento do risco estão o consumo de bebidas alcoólicas, o excesso de peso corporal, a inatividade física e o tabagismo.

Por outro lado, algumas mudanças de hábitos podem contribuir para reduzir o risco de desenvolvimento da doença. A prática regular de atividade física, a manutenção de um peso adequado, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e a amamentação estão entre as medidas consideradas importantes para a prevenção.

Estimativas do INCA indicam que essas medidas podem representar uma redução potencial de até 28% dos novos casos de câncer de mama no Brasil.

“A prevenção não elimina a possibilidade de desenvolver a doença, mas pode contribuir para reduzir o risco. Por isso, cuidar do peso, praticar atividade física, evitar o consumo de álcool e não fumar são medidas importantes”, afirma Dra. Elis.

Diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento

Além da prevenção, identificar alterações suspeitas precocemente pode fazer diferença no tratamento.

Segundo o INCA, quando o câncer de mama é identificado em fases iniciais, aumentam as possibilidades de tratamentos mais efetivos e, em muitos casos, menos agressivos.

“Quando uma alteração suspeita é investigada cedo, aumentam as possibilidades de identificar a doença em uma fase em que o tratamento pode ser mais efetivo e, em muitos casos, menos agressivo. O diagnóstico precoce também pode ampliar as possibilidades de preservação da mama”, explica a médica.

Para mulheres consideradas de risco habitual, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e a Sociedade Brasileira de Mastologia recomendam mamografia anual dos 40 aos 74 anos.

Já o Ministério da Saúde estabelece como faixa prioritária para o rastreamento mamográfico mulheres entre 50 e 74 anos, com realização do exame a cada dois anos.

Mulheres de 40 a 49 anos também podem realizar mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), após decisão compartilhada com o profissional de saúde, levando em consideração os potenciais benefícios e riscos do exame.

Mulheres de maior risco precisam de avaliação individualizada

Para mulheres com maior risco de desenvolver câncer de mama, o acompanhamento pode seguir estratégias diferentes.

Histórico familiar relevante, alterações genéticas associadas à doença e determinadas condições clínicas podem indicar a necessidade de protocolos individualizados de rastreamento.

Por isso, a definição da frequência e do tipo de exame deve considerar o perfil de risco de cada mulher.

Também é importante estar atenta a alterações nas mamas que não sejam habituais.

Entre os sinais que merecem avaliação estão nódulo novo ou endurecido, crescimento de um nódulo já existente, retração da pele, aparência de “casca de laranja”, mudanças recentes no formato da mama ou do mamilo e saída espontânea de secreção, especialmente quando há presença de sangue.

Esses sinais não significam necessariamente a presença de câncer, mas devem ser investigados por um profissional de saúde.

Para Dra. Elis Nogueira, o Outubro Rosa ajuda a ampliar a discussão sobre o tema, mas os cuidados precisam fazer parte da rotina das mulheres durante todo o ano.

“Outubro Rosa é um momento importante para falar sobre o câncer de mama, mas esse cuidado não deve ficar restrito a outubro. Conhecer os fatores de risco, manter o acompanhamento indicado e procurar avaliação diante de uma alteração fazem parte desse cuidado durante todo o ano”, conclui.

Sobre Dra. Elis Nogueira

Dra. Elis Nogueira é médica ginecologista e obstetra (CRM-SP 98.344), membro da SOGESP e da FEBRASGO e possui título em Advanced Life Support in Obstetrics.

Integra o corpo clínico dos hospitais e maternidades São Luiz Star, Vila Nova Star, Albert Einstein, Sírio-Libanês, Santa Catarina, Pro Matre e Santa Joana.

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