MSF alerta para agravamento da crise humanitária em Gaza

Organização destaca avanço da Linha Amarela, restrições de circulação e escassez de recursos essenciais

Confinamento e restrições em Gaza

Há três anos, a população de Gaza enfrenta um confinamento progressivo, agravado pelo avanço da chamada Linha Amarela, segundo alerta a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Inicialmente apresentada como uma posição temporária durante uma retirada militar e parte do cessar-fogo, essa linha vem sendo reforçada por posições militares, barreiras de terra e demolições, comprimindo a população em uma área cada vez menor.

Atualmente, as forças israelenses ocupam cerca de 65% do território de Gaza, utilizando a Linha Amarela para estabelecer uma fronteira clara. A proximidade dessa linha representa risco para os moradores, que podem ser alvejados pelas forças israelenses, conforme relatos da MSF, que continua tratando pacientes feridos por disparos nessas áreas.

Escassez de água e assistência médica

A violência e as restrições dificultam a entrega de assistência essencial. O transporte de água foi interrompido em algumas comunidades próximas à Linha Amarela devido a tiros na região. Em agosto, a MSF distribuiu 2,1 milhões de litros de água potável por dia, mas as necessidades da população superam o volume disponível.

O coordenador de atividades médicas da MSF em Gaza, Dr. Murad Asaliyya, destaca que a maioria das pessoas dispõe de menos de seis litros de água por dia para uso doméstico e tem acesso limitado a itens básicos de higiene, como sabão e detergente. A organização relata o tratamento de doenças como gastroenterite, infecções respiratórias, hepatite, sarna e infestação por piolhos, além da escassez de suprimentos médicos, incluindo cremes para tratar a sarna, que enfrentam restrições.

Atendimentos por traumas e doenças

Entre junho e julho, as equipes da MSF atenderam mais de 1.200 casos de traumas relacionados à violência, incluindo ferimentos por explosões, queimaduras, tiros e agressões físicas. A organização esclarece que esse número se refere a casos, incluindo consultas novas e de acompanhamento, e não a pacientes individuais. Nos últimos três anos, a MSF tratou mais de 200 mil casos de trauma.

Além disso, a organização registrou mais de 11 mil atendimentos por doenças de pele neste ano e mais de 1.500 casos de catapora nos meses de junho e julho. A data exata da publicação dos dados não foi informada, o que impede a identificação precisa dos períodos referidos.

Impactos na infraestrutura e além de Gaza

Os hospitais de Gaza enfrentam escassez crescente de suprimentos básicos, enquanto restrições a peças e combustível comprometem o funcionamento de geradores, ambulâncias e sistemas de abastecimento de água. Mais de 80% das estruturas do território sofreram danos, e o deslocamento forçado agrava a situação.

Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, a MSF relata aumento de operações militares, ataques de colonos, demolições de casas e restrições de circulação, intensificando a fragmentação do território palestino ocupado.

Apelo por ação internacional

A MSF classifica a situação em Gaza como um genocídio em curso e uma limpeza étnica, destacando que a destruição, o deslocamento e a privação tornaram-se práticas normalizadas, realizadas com impunidade. A organização conclama os governos a agir para interromper a destruição e as mortes, impedir a limpeza étnica e garantir que os palestinos tenham acesso aos meios necessários para sobreviver.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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