Fantasia urbana conecta periferia de SP e sertão nordestino

Romance de AJ Oliveira e Thiago Lee explora troca sobrenatural entre detetive espiritual e sanfoneiro mágico

O romance “Fiado? Só no Inferno”, escrito a quatro mãos por AJ Oliveira e Thiago Lee, traz uma fantasia urbana que conecta dois universos brasileiros frequentemente vistos como antagônicos: a periferia da Zona Leste de São Paulo e o sertão do Vale do São Francisco. A trama é impulsionada por uma troca misteriosa de corpos entre Rian, um detetive espiritual paulistano, e Luizinho, um sanfoneiro mágico nordestino, que os obriga a enfrentar os dilemas, famílias e “demônios” um do outro.

Ao longo da narrativa, que alterna entre o presente — em que os protagonistas tentam descobrir a entidade responsável pela troca — e o passado recente de cada um, o livro explora o misticismo e as manifestações folclóricas sob uma perspectiva urbana e contemporânea, refletindo a realidade social brasileira.

Temas e representatividade

Mais do que uma história de fantasia, a obra aborda questões como ansiedade, expectativas familiares, dinâmicas de classe, relacionamentos não-monogâmicos e vivências LGBTQIAP+. Em ambas as realidades retratadas, os personagens constroem redes de apoio e proteção para enfrentar ameaças sobrenaturais e a ausência do Estado, equilibrando humor, tensão e afeto.

AJ Oliveira destaca que, por meio de Rian, buscou retratar a vivência do paulistano periférico, marcado pela desconfiança e pela urgência do autossacrifício, mas que precisa aprender a colaborar e superar o instinto de resolver tudo sozinho ao se ver em um ambiente diferente do seu. Já Thiago Lee ressalta que Luizinho representa a ansiedade, o peso das expectativas e o sufocamento de viver sob uma proteção familiar excessiva, numa jornada de amadurecimento e autoconfiança além da zona de conforto.

Contexto e produção

“Fiado? Só no Inferno” foi contemplado pelo Edital Fomento Cultsp (ProAC/PNAB Nº 28/2024) e realizado com recursos do Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas. A obra também dialoga com o universo dos podcasts, atividade em que ambos os autores atuam, e valoriza a diversidade de sotaques para aprofundar a identidade oral dos protagonistas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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