Quando incluir outra pessoa não é traição?

Consentimento, limites e diálogo definem os acordos em cada relação

Incluir uma terceira pessoa em uma relação significa necessariamente traição? Para casais que estabelecem acordos claros e consentem com essa possibilidade, a resposta pode ser não. A terapeuta sexual Thaís Plaza, embaixadora do Gleeden no Brasil, ressalta que o ponto central é compreender quais acordos foram firmados e se estão sendo respeitados por todos os envolvidos.

Essa discussão ganha destaque em dinâmicas como o cuckold, em que uma pessoa sente prazer ao saber, imaginar ou acompanhar o envolvimento sexual do parceiro ou parceira com outra pessoa. Essa prática pode ser apenas uma fantasia ou uma experiência vivida por casais que definem limites em conjunto. Contudo, desejar imaginar uma situação não significa necessariamente querer realizá-la.

Consentimento e acordos

“Uma infidelidade não é simplesmente a presença de uma terceira pessoa. Temos que observar os acordos daquela relação. Quando existe consentimento para uma determinada experiência, estamos falando de uma dinâmica completamente diferente de descobrir que um acordo de exclusividade foi quebrado às escondidas”, explica Thaís Plaza.

A especialista destaca ainda que o consentimento deve ser genuinamente livre. Aceitar uma prática por medo de perder o relacionamento, por pressão do parceiro ou para demonstrar ser “de mente aberta” não caracteriza uma escolha autêntica. Para quem decide experimentar, a comunicação aberta e a possibilidade de interromper ou renegociar os acordos são fundamentais.

As motivações para o interesse pelo cuckold podem variar, incluindo voyeurismo, novidade, ciúme, transgressão ou o prazer de perceber que o parceiro é desejado. Não há uma única explicação, e cada casal constrói sua própria experiência, que não deve ser tomada como regra para outros.

O que mostram os levantamentos

Pesquisas divulgadas pelo Gleeden ajudam a dimensionar o interesse pelo tema entre seus usuários. Em um levantamento sobre cuckolding, 36% dos entrevistados afirmaram que gostariam de ver o parceiro com outra pessoa, enquanto 60% disseram que aceitariam estar com outra pessoa enquanto o parceiro observa. Notavelmente, 91% consideraram que, quando há consentimento para incluir uma terceira pessoa na relação, não há infidelidade.

Outro estudo com 9.380 usuários brasileiros revelou que 95% declararam ter algum tipo de fetiche, embora apenas 4% tenham realizado todas as suas fantasias. Um levantamento divulgado pela plataforma em 2025 indicou que 53% dos brasileiros entrevistados já viveram algum tipo de relação não monogâmica, e 42% têm uma visão positiva sobre essa forma de relacionamento. Esses dados refletem o perfil dos usuários do Gleeden e não representam necessariamente a população brasileira em geral.

Não existe regra universal

Esses números não indicam o fim da monogamia, mas evidenciam a diversidade de desejos e formas de estabelecer limites nas relações. “Não existe um modelo afetivo-sexual que funcione para todo mundo. Há pessoas plenamente felizes na monogamia e outras que constroem acordos diferentes”, afirma Thaís Plaza.

Para quem está em um relacionamento, a conversa pode começar com uma pergunta simples: quais atitudes cada pessoa considera quebra de confiança? Tornar os limites explícitos não obriga ninguém a mudar seu modelo de relação, mas evita que regras presumidas sejam confundidas com acordos que nunca foram discutidos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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