Autismo: família identifica primeiros sinais em 55,9% dos casos

Levantamento com mais de 23 mil participantes destaca o papel da observação familiar; sinais isolados não confirmam diagnóstico

De acordo com o Mapa Autismo Brasil, familiares próximos foram os primeiros a notar sinais relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) em 55,9% dos casos, entre 23.632 participantes do levantamento. Essa predominância reforça a importância do olhar atento dos pais e cuidadores no acompanhamento do desenvolvimento infantil.

A própria pessoa autista identificou os primeiros sinais em 11,4% dos casos, enquanto médicos e professores foram os primeiros a perceber em 7,3% e 9,4% dos casos, respectivamente. A convivência diária permite que familiares observem mudanças na comunicação, interação social, comportamento, aprendizagem e coordenação motora, aspectos que podem indicar a necessidade de avaliação.

O que observar no desenvolvimento infantil

Aspectos como o desenvolvimento da linguagem e comunicação, interação com outras pessoas, comportamentos repetitivos, respostas a estímulos sensoriais, adaptação a mudanças de rotina, atenção, aprendizagem e desenvolvimento motor são pontos que podem chamar a atenção. Contudo, é fundamental considerar a idade e o contexto em que esses sinais aparecem, pois cada criança tem seu ritmo e características próprias.

Uma diferença isolada em relação a outras crianças da mesma idade não significa necessariamente a presença de um transtorno. O que deve ser observado é a combinação de sinais, sua persistência e o impacto que podem ter na rotina, comunicação, aprendizagem e relações da criança.

Segundo o Dr. Cassiano José Xavier Gil, médico especialista parceiro da Bloom Check e proprietário da Humanari, centro médico com profissionais de neurologia e psiquiatria, “um comportamento isolado não é suficiente para estabelecer um diagnóstico de neurodivergência. O que deve chamar a atenção é a combinação de sinais, a persistência deles e o impacto que podem ter no desenvolvimento e na rotina da criança”.

Triagem e diagnóstico: etapas distintas

A observação feita por familiares e também por professores, que acompanham a criança em contextos diferentes, pode ajudar a organizar dúvidas e indicar a necessidade de buscar orientação especializada. No entanto, é importante diferenciar observação, triagem e diagnóstico.

A triagem é uma etapa que ajuda a organizar preocupações e pode indicar se é pertinente procurar uma avaliação clínica. Já o diagnóstico depende da análise de profissionais habilitados, que consideram a história, o contexto e as características individuais da criança.

Com o volume de informações disponíveis na internet, interpretar sinais fora de contexto pode gerar ansiedade, conclusões precipitadas ou a desconsideração de preocupações legítimas. Por isso, a recomendação é que, diante de dúvidas persistentes, a família busque avaliação profissional em vez de tentar autodiagnóstico.

A primeira infância, que vai do nascimento aos seis anos, é um período de intenso desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. Acompanhar a criança com atenção não significa procurar doenças, mas conhecer seu jeito de se comunicar, aprender e interagir, e buscar orientação quando necessário.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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