Fim das bets: como reorganizar as finanças e buscar ajuda
Com plataformas previstas para sair do ar, veja como mapear dívidas, redirecionar a renda e procurar atendimento para problemas com apostas.
Com a publicação da Medida Provisória nº 1.394 em 25 de setembro, que determina o fim das plataformas de apostas online no Brasil, sites e aplicativos devem sair do ar até 6 de outubro. Essa mudança impacta um mercado que comprometeu significativamente a renda de muitas famílias brasileiras.
Embora as plataformas deixem de operar, os compromissos financeiros assumidos e os efeitos psicológicos do jogo permanecem para quem apostou. Um estudo do Insper, em parceria com a fintech Stone, revelou que, entre os novos apostadores, a inadimplência aumentou em média 20% nos 12 meses seguintes à primeira aposta, enquanto o limite de crédito disponível caiu cerca de 16% nesse período.
Reorganize seu orçamento
Para quem precisa ajustar as finanças, o conselheiro da BluSol, Ralf Marcos Ehmke, recomenda listar todas as fontes de renda, despesas fixas, parcelas, faturas e empréstimos para ter uma visão clara do comprometimento financeiro. Essa organização ajuda a evitar decisões baseadas apenas no saldo disponível na conta.
Se parte da renda era destinada às apostas, esse valor deve ser redirecionado prioritariamente para quitar dívidas. Após equilibrar as contas, o próximo passo é formar uma reserva financeira. É importante evitar voltar a apostar, pois o jogo não recupera prejuízos, apenas os amplia.
O uso do crédito também deve ser planejado. Cartões, cheque especial e empréstimos devem ser utilizados para necessidades específicas, como aquisição de equipamentos ou capital de giro, e não para cobrir perdas com apostas. Avaliar o custo total e o impacto das parcelas nos meses seguintes é fundamental antes de contratar qualquer crédito.
Impacto nas famílias e no comércio
Segundo pesquisa da Febraban, 37% dos entrevistados relataram que os gastos com apostas afetaram a compra de alimentos, e 36% apontaram impacto no pagamento de contas. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estimou que a inadimplência associada às apostas retirou R$ 143 bilhões do comércio entre janeiro de 2023 e março de 2026, reduzindo o volume de recursos destinados ao consumo.
Se alguém próximo enfrenta problemas com apostas, a recomendação é conversar em particular e sem acusações, oferecendo ajuda para organizar as finanças, caso a pessoa aceite. É importante proteger o próprio orçamento, evitando emprestar nome, cartão, senha ou assumir dívidas que não pode pagar.
Atendimento pelo SUS
O jogo problemático é uma questão de saúde pública. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento para pessoas afetadas e seus familiares. Pelo aplicativo Meu SUS Digital, é possível acessar o miniaplicativo “Problemas com jogos de apostas?”. A Unidade Básica de Saúde pode encaminhar para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) quando necessário.
Quem ainda possui saldo em plataformas deve ficar atento ao prazo para retirada voluntária, que vai até as 23h59 do dia 5 de outubro. Sinais como dificuldade para parar, gastos escondidos e tentativas repetidas de recuperar prejuízos indicam a necessidade de buscar apoio, sem constrangimento.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



