Fiado? Só no Inferno une periferia e sertão em fantasia urbana
Romance de AJ Oliveira e Thiago Lee troca os destinos de um detetive espiritual da Zona Leste e um sanfoneiro mágico do sertão
O que acontece quando um detetive espiritual da Zona Leste de São Paulo acorda no lugar de um sanfoneiro mágico do sertão nordestino — e vice-versa? Essa troca sobrenatural é o ponto de partida de Fiado? Só no Inferno, romance de fantasia urbana escrito por AJ Oliveira e Thiago Lee que aproxima universos muitas vezes retratados como opostos.
Na história, Rian e Luizinho precisam enfrentar os dilemas, as famílias e os “demônios” um do outro. A narrativa conecta a periferia paulistana ao sertão do Vale do São Francisco e usa o fantástico para falar de experiências sociais e afetivas reconhecíveis, sem se apoiar em estereótipos regionais.
Fantasia com raízes brasileiras
O misticismo e as manifestações folclóricas aparecem em uma trama de linguagem urbana e jovem. A proposta também aborda dinâmicas de classe, ansiedade, laços familiares, relacionamentos não-monogâmicos e vivências LGBTQIAP+. Humor, tensão e afeto acompanham personagens que constroem redes de apoio diante de ameaças sobrenaturais e da ausência do Estado.
As diferenças entre os protagonistas são parte importante do percurso. Rian, segundo AJ Oliveira, representa a vivência de um paulistano periférico que precisa aprender a colaborar em vez de tentar resolver tudo sozinho. “Em Rian, buscamos trazer a vivência do paulistano periférico, marcado pela desconfiança e pela urgência do autossacrifício, mas que precisa aprender a colaborar e superar o instinto de resolver tudo sozinho quando se vê em um ambiente completamente diferente do seu.”
Já Luizinho enfrenta questões ligadas à ansiedade e às expectativas que recaem sobre ele. Thiago Lee resume a jornada do personagem: “A figura do Luizinho serve para falar sobre ansiedade, o peso das expectativas e o sufocamento de viver sob uma proteção familiar excessiva. É uma jornada sobre amadurecer e confiar em si mesmo para além da zona de conforto.”
Uma investigação em dois tempos
A história alterna entre o presente, quando a dupla tenta interrogar a entidade responsável pela troca de corpos, e o passado recente de cada núcleo. Esse formato acompanha a investigação e abre espaço para conhecer as realidades de Rian e Luizinho, além dos vínculos que cada um precisa aprender a atravessar.
A oralidade também faz parte da identidade do livro. De acordo com a apresentação da obra, a diversidade de sotaques dos autores contribui para construir as vozes dos protagonistas. A proposta dialoga ainda com a experiência de AJ Oliveira e Thiago Lee em podcasts.
Fiado? Só no Inferno foi contemplado pelo Edital Fomento Cultsp (ProAC/PNAB nº 28/2024) e realizado com recursos do ProAC, programa do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas. O romance propõe uma fantasia brasileira em que a aventura sobrenatural também coloca no centro as relações, as diferenças regionais e as formas de cuidado que os personagens encontram pelo caminho.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



