Câncer de mama: gravidez após o tratamento exige planejamento

Preservação da fertilidade, idade e risco de recorrência são pontos essenciais na avaliação médica pós-câncer de mama

Receber um diagnóstico de câncer de mama pode colocar os planos de maternidade em segundo plano, mas não significa necessariamente abrir mão de uma gravidez no futuro. A fertilidade e o momento mais seguro para tentar engravidar podem ser discutidos desde o diagnóstico e acompanhados ao longo do tratamento, sempre com decisões individualizadas.

A atualização da American Society of Clinical Oncology (ASCO), publicada em 2025, recomenda que a preservação da fertilidade seja abordada desde o diagnóstico. O planejamento reprodutivo também deve continuar durante o tratamento e no acompanhamento de longo prazo — mesmo quando ter filhos não é uma prioridade imediata.

Fertilidade em foco

O efeito sobre os ovários varia conforme a idade, a reserva ovariana antes do tratamento e os medicamentos utilizados. A quimioterapia pode reduzir essa reserva e, em alguns casos, levar à falência ovariana ou antecipar a menopausa. Por isso, a avaliação não deve ser deixada apenas para depois do tratamento.

Quando possível e adequado, algumas alternativas de preservação da fertilidade podem ser consideradas antes de terapias com potencial de afetar os ovários, como o congelamento de óvulos ou de embriões. O congelamento de tecido ovariano também pode ser uma opção em casos específicos. A escolha depende das circunstâncias de cada paciente e do planejamento oncológico.

A idade também merece atenção: o tempo de tratamento e de espera pode ter impactos diferentes conforme o momento em que a mulher recebeu o diagnóstico. E a volta da menstruação, sozinha, não confirma que a reserva ovariana esteja preservada. “Não podemos olhar apenas para o fato de a menstruação ter voltado. Menstruar novamente não significa necessariamente que a reserva ovariana esteja preservada”, afirma Karina Belickas, obstetra e mastologista do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Gravidez após o câncer

Uma dúvida frequente é se engravidar aumenta o risco de o câncer voltar. O estudo POSITIVE, publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, acompanhou mulheres de até 42 anos com histórico de câncer de mama inicial com receptores hormonais positivos que desejavam engravidar. Entre as 497 participantes avaliadas para o desfecho de gravidez, 368 tiveram pelo menos uma gestação e 317 tiveram ao menos um nascimento com vida.

No acompanhamento disponível, a interrupção temporária da terapia endócrina para tentar engravidar não apresentou aumento de eventos relacionados ao câncer em comparação com um grupo de mulheres que não fez a pausa. Os pesquisadores ressaltaram, porém, que é importante acompanhar essas pacientes por mais tempo.

Esse resultado não significa que qualquer paciente possa suspender a hormonioterapia por conta própria. O estudo avaliou um grupo selecionado, que já havia recebido de 18 a 30 meses de terapia endócrina e passou por avaliação médica. O protocolo previa ainda pelo menos três meses sem os medicamentos antes das tentativas.

Decisão individual

Tipo e estágio do tumor, tratamentos recebidos, idade, reserva ovariana e risco individual de recorrência entram na avaliação. Conversar sobre o desejo de ter filhos com a equipe desde o início pode ajudar a incluir esse objetivo nas decisões, sem substituir as prioridades do tratamento oncológico. O planejamento de uma gravidez após o câncer precisa ser feito com acompanhamento médico, e não com base apenas em resultados de estudos ou na retomada do ciclo menstrual.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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