Câncer de mama: 35,8% das internações são antes dos 50

Levantamento de 104 mil internações revela desfechos mais graves em casos com metástase

Mais de uma em cada três internações por câncer de mama registradas em um levantamento nacional envolveu mulheres com menos de 50 anos. O dado destaca que a doença também afeta essa faixa etária, embora o estudo não indique aumento da incidência entre as mais jovens, pois analisou internações e não a prevalência da doença no país.

O levantamento, realizado pela Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, do Grupo IAG Saúde, compilou dados de 104.049 internações em hospitais públicos e privados de todas as regiões do Brasil, com altas ocorridas entre janeiro de 2021 e junho de 2026. O estudo detalha o perfil das pacientes, duração das internações, desfechos hospitalares e custos associados.

Perfil das pacientes internadas

A idade média das pacientes foi de 56 anos. Mulheres entre 18 e 49 anos representaram 35,8% das internações, seguidas por 24,5% entre 50 e 59 anos, 22% entre 60 e 69 anos, 12,8% entre 70 e 79 anos e 4,8% com 80 anos ou mais. Além disso, 0,8% das internações foram de pacientes do sexo masculino.

Segundo Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde, “esse resultado não quer dizer que o câncer de mama esteja aumentando entre as mais jovens, porque o levantamento não mede isso. Ele mostra, porém, que a doença tem peso real também antes dos 50 anos”.

As internações por câncer de mama representaram cerca de nove a cada mil internações entre 2022 e 2025. No primeiro semestre de 2026, essa proporção subiu para 10,1 a cada mil, contra 9,0 no mesmo período de 2025. Os especialistas destacam que ainda é cedo para afirmar se essa tendência se manterá.

Impacto da metástase nos desfechos hospitalares

Pacientes com metástase, ou seja, com câncer espalhado para outras partes do corpo, corresponderam a 6,7% das internações, mas apresentaram desfechos significativamente mais graves. A mortalidade durante a internação nesse grupo foi de 31,2%, comparada a 1,9% entre pacientes sem metástase.

Além disso, a duração média da internação foi de 6,9 dias para pacientes com metástase, contra 1,6 dia para as demais. Embora representem menos de 7% das internações, esses casos concentraram cerca de um quarto dos dias totais de hospitalização e mais da metade dos óbitos registrados.

O custo assistencial previsto médio por internação com metástase foi de R$ 9,5 mil, aproximadamente 50% maior que os R$ 6,3 mil registrados para casos sem metástase.

Considerações finais

De modo geral, a permanência média das pacientes internadas foi de dois dias, com mortalidade hospitalar de 3,9%, considerando apenas óbitos ocorridos durante a internação. Esses números não refletem a mortalidade geral do câncer de mama, que depende do acompanhamento ao longo do tempo.

O estudo é observacional e descritivo, baseado em dados de instituições participantes da Plataforma DRG Brasil, e não representa estimativas de incidência ou prevalência da doença na população brasileira. Os resultados não permitem atribuir causalidade aos desfechos observados, mas oferecem um panorama importante sobre o impacto do câncer de mama nos hospitais.

Esses dados reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso rápido ao tratamento para melhorar os desfechos das pacientes com câncer de mama.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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