Violência na infância: pesquisa destaca vulnerabilidade na escola e internet

Levantamento do Infinis e Quaest revela percepção de insegurança e reforça a importância de respostas integradas

A segurança de crianças e adolescentes em ambientes como a escola e a internet é motivo de preocupação crescente. Uma pesquisa realizada pelo Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável, em parceria com a Quaest, revelou que 89% dos brasileiros consideram o público infantojuvenil muito vulnerável a crimes e violências no ambiente digital. Além disso, 73% dos entrevistados avaliam as escolas como pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes.

Esses dados foram apresentados no dia 30 de setembro, durante a 8ª edição do Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância, realizado no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. O evento reuniu gestores públicos, pesquisadores, organizações da sociedade civil e organismos internacionais para debater estratégias integradas de prevenção à violência contra crianças e adolescentes.

Bullying e percepção de insegurança

O levantamento também indicou que 33% dos entrevistados conhecem alguma criança ou adolescente que já sofreu bullying ou constrangimento social no ambiente digital. Os resultados trazem recortes sobre cyberbullying, a relação com a escola e a confiança dos brasileiros nas instituições.

É importante destacar que esses números refletem percepções e relatos sobre pessoas conhecidas, não significando que 73% das escolas tenham registrado casos de violência, nem que um terço de todas as crianças tenha sofrido bullying digital.

A pesquisa completa está disponível no site da Fundação José Luiz Setúbal, que apoia o Infinis. Os dados serviram de base para discussões sobre prevenção e proteção durante o fórum.

Interseção entre violência contra crianças e mulheres

O evento também abordou a relação entre violência na infância e questões de gênero e raça. Floriza Freire Gennari, cientista comportamental do UNICEF Innocenti e professora adjunta na George Washington University, ressaltou que “a violência contra a criança e a violência contra mulheres não acontecem de forma separadas, se entrecruzam no ambiente doméstico.”

Ela defendeu a adoção de medidas que reúnam práticas bem-sucedidas na prevenção, como programas de parentalidade, ampliando o olhar para o cotidiano familiar e reforçando que a segurança de mulheres e crianças deve ser tratada de forma integrada.

Climene Laura de Camargo, professora titular da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, compartilhou uma experiência observada em um quilombo baiano em 1997, onde o cuidado comunitário foi associado a menor incidência de violência doméstica, destacando a importância do cuidado coletivo.

Plataforma INSPIRE Brasil para monitoramento

Durante o fórum, foi lançada a plataforma INSPIRE Brasil, iniciativa da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes. O painel interativo reúne 62 indicadores de 21 bases de dados para monitorar estratégias de prevenção e resposta às violências contra crianças e adolescentes.

Desenvolvida com parceria técnica da Vital Strategies Brasil, a plataforma adapta ao contexto brasileiro o marco internacional INSPIRE, liderado pela Organização Mundial da Saúde. Ela permite consultar dados com recortes por estado, gênero e raça, facilitando a articulação entre setores como saúde, educação e segurança.

O objetivo é promover uma visão integrada da proteção infantil, reforçando que a responsabilidade pela segurança das crianças não deve ficar restrita ao ambiente familiar, mas envolver toda a sociedade.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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