Ansiedade infantil: medo de errar pode travar aprendizagem
Especialistas destacam sinais de ansiedade e a importância do acolhimento familiar para crianças e adolescentes
Ansiedade infantil e seus impactos na aprendizagem
Comportamentos como evitar tarefas por medo de errar, buscar confirmação constante ou demonstrar desinteresse nas atividades escolares podem ser sinais de ansiedade em crianças e adolescentes. A psicóloga e psicanalista Andréa Chicri Torga Matiassi, da Afya Contagem, alerta que esses comportamentos expressam sofrimento e não devem ser interpretados apenas como falta de empenho.
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), conduzida pelo IBGE, 18,5% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmam pensar frequentemente que a vida não vale a pena ser vivida. Além disso, 42,9% relatam sentir irritação, nervosismo ou mau humor com frequência, enquanto quase 30% convivem com tristeza constante.
Quando o comportamento indica transtorno
A adolescência é marcada por mudanças emocionais naturais, como oscilações de humor e busca por identidade. A psiquiatra da infância e adolescência Carla Caroline Vieira, da Afya Educação Médica Montes Claros, explica que testar limites e querer mais privacidade são comuns nessa fase.
Porém, a diferença entre uma reação passageira e um transtorno mental está na intensidade, frequência e impacto dessas manifestações na vida do jovem. Transtornos persistentes podem comprometer o diálogo, a convivência e o desempenho escolar, exigindo atenção especializada.
Ansiedade além do desempenho escolar
Andréa destaca que a ansiedade pode afetar a atenção, memória, sono e autonomia da criança, além de prejudicar a capacidade de brincar, aprender e estabelecer vínculos sociais. Fatores como separações, perdas, mudanças, conflitos familiares e expectativas excessivas podem desencadear esses sintomas.
Mais do que eliminar rapidamente os sintomas, é fundamental compreender o que a criança expressa por meio do comportamento e do corpo, considerando seu contexto de vida.
O papel do acolhimento familiar
O ambiente familiar exerce grande influência na saúde mental dos jovens. Dados da PeNSE indicam que 26,1% dos estudantes sentem que ninguém se preocupa com eles, e muitos enfrentam desentendimentos ou agressões no ambiente doméstico.
Carla Caroline Vieira ressalta que ambientes marcados por ameaça ou desamparo podem gerar medo crônico e desregulação emocional, dificultando o desenvolvimento saudável.
Entre os fatores de proteção para a saúde mental estão a presença de adultos disponíveis para escutar, uma rotina equilibrada com momentos de descanso e lazer, vínculos familiares seguros e relações positivas na escola.
Andréa reforça que proporcionar um espaço onde crianças e adolescentes possam falar sobre seus medos e dificuldades sem críticas ou julgamentos é essencial para enfrentar a ansiedade. “Sentir-se escutado e acolhido é muitas vezes o primeiro passo para a superação”, conclui.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



