Superdotação na infância: apoio importa mais que cobrança

Altas habilidades não são doença nem promessa de sucesso. Entenda por que reconhecer necessidades individuais faz diferença na escola e em casa.

Uma criança com altas habilidades não precisa ser excelente em tudo — nem ter o futuro definido pelo seu potencial. Para as famílias, compreender a superdotação passa por trocar a expectativa de desempenho constante por atenção às necessidades individuais. Esse perfil não é uma doença e pode envolver tanto talentos quanto desafios emocionais e de aprendizagem.

A psiquiatra Fabrícia Signorelli, especialista em Superdotação/Altas Habilidades e parceira da empresa de estimulação cognitiva Supera, chama atenção para uma distinção importante: reconhecer essas características não é o mesmo que identificar um transtorno.

Superdotação não é diagnóstico médico

Altas habilidades e superdotação não possuem código próprio na Classificação Internacional de Doenças (CID). Também não significam, necessariamente, desempenho excepcional em todas as áreas da vida.

“Ter altas habilidades, ter superdotação, não é um diagnóstico médico. Altas habilidades e superdotação são diferentes dos transtornos descritos no DSM”, explica Fabrícia.

Essa diferença importa porque comportamentos observados em casa ou na escola podem ser interpretados de forma equivocada quando aparecem separados da história e das circunstâncias de cada pessoa.

Perfeccionismo não conta toda a história

Intensidade emocional, cobrança elevada, busca por desafios e perfeccionismo podem fazer parte desse perfil. O desenvolvimento também pode acontecer em ritmos diferentes entre determinadas áreas. Nenhuma dessas características, isoladamente, permite concluir que alguém tenha altas habilidades.

Uma avaliação cuidadosa precisa considerar história de vida, relações sociais, ambiente familiar e escolar, funcionamento emocional e formas de aprendizagem. O ponto não é transformar uma lista de comportamentos em um rótulo, mas compreender o conjunto.

“Mais grave do que o diagnóstico errado é a medicalização de uma condição que não é médica. Se eu entendo que uma característica do superdotado é um sintoma, eu vou partir para um lugar conhecido por nós, que é medicar sintomas”, alerta a psiquiatra.

Potencial precisa de estímulo e apoio

Ter habilidades acima da média não elimina dificuldades escolares, profissionais ou emocionais. Segundo Fabrícia, falta de desafios, dificuldade de identificação e pressão social podem comprometer o desenvolvimento dessas potencialidades.

Por isso, perceber as altas habilidades na infância não significa determinar antecipadamente o futuro da criança. O objetivo é entender seu modo de aprender e quais estímulos podem favorecer seu desenvolvimento, sem exigir excelência em todas as situações.

Para mães e demais responsáveis, a questão central é olhar além do rendimento. O apoio pode envolver família, profissionais da educação e da saúde, conforme as necessidades individuais. Reconhecer talentos e acolher desafios são partes do mesmo cuidado — não exigências opostas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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