Polifarmácia em idosos: quando um remédio leva a outro

Uso de cinco ou mais medicamentos exige revisão da rotina, atenção às interações e cuidado com suplementos e produtos fitoterápicos.

Quando a lista de remédios de uma pessoa idosa cresce, a preocupação não deve ser apenas contar os comprimidos. É importante verificar se todos continuam necessários, como interagem entre si e se algum sintoma novo pode ser efeito colateral de um tratamento. Em alguns casos, um remédio acaba levando à prescrição de outro — situação conhecida como cascata de prescrição.

O alerta é do geriatra Gabriel de Oliveira, professor de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi. Segundo ele, o conceito numérico de polifarmácia considera o uso de cinco ou mais medicamentos diferentes. Nessa conta, entram também produtos comprados por conta própria, suplementos, vitaminas, chás e fitoterápicos.

Nem sempre o número de remédios é o problema

O especialista explica que a quantidade, sozinha, não determina se existe um risco. Dependendo das condições de saúde, uma pessoa pode precisar de vários tratamentos. A atenção deve aumentar quando surgem efeitos adversos, interações entre substâncias ou medicamentos que já não oferecem benefício suficiente para justificar sua manutenção.

Uma substância pode potencializar o efeito de um anticoagulante, reduzir a ação de um analgésico ou piorar a constipação quando combinada a outro medicamento. Entre as classes que exigem atenção especial em idosos estão as de efeito anticolinérgico, associadas a possíveis sinais como sonolência, boca seca, prisão de ventre e confusão mental.

Como acontece a cascata de prescrição

A cascata aparece quando uma reação provocada por um medicamento é interpretada como um novo problema de saúde. Em vez de reavaliar o tratamento inicial, acrescenta-se outro remédio para combater o sintoma. “E assim por diante, vamos adicionando fármacos para tratar efeitos colaterais de medicamentos prescritos anteriormente”, detalha Gabriel de Oliveira.

Por isso, vitaminas, suplementos e produtos considerados naturais também devem ser informados durante a consulta. “Até ervas ou medicamentos fitoterápicos podem causar efeitos colaterais ou interferir no tratamento. Por isso, é importante que o médico saiba tudo o que aquele paciente utiliza”, orienta o geriatra.

O papel da família na rotina de cuidados

Quando o idoso já não consegue administrar os medicamentos com segurança, familiares e cuidadores podem ajudar a organizar horários e doses. A recomendação é identificar cada remédio pelo nome, e não apenas pela aparência, e acompanhar se as doses foram tomadas.

Em caso de erro, é preciso observar o estado geral da pessoa e informar qual medicamento e qual dose foram usados. Se ela estiver muito prostrada ou não estiver bem, a orientação citada pelo especialista é procurar um pronto atendimento e relatar o ocorrido.

A autonomia também deve ser preservada quando o idoso lúcido consegue cuidar do próprio tratamento. Esquecimentos frequentes, doses repetidas ou outros erros, porém, indicam a necessidade de reavaliar se ele continua apto a gerenciar essa rotina sozinho.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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