Como as redes sociais transformaram nossa relação com o envelhecimento
Selfies, videochamadas e filtros aumentam a atenção ao rosto e influenciam o cuidado estético
O envelhecimento deixou de ser uma experiência percebida apenas diante do espelho. Com o aumento do uso de selfies, videochamadas e redes sociais, o rosto passou a ser observado com muito mais frequência e sob diferentes ângulos, o que pode intensificar a percepção de pequenas mudanças e transformar o envelhecimento em uma preocupação mais visível.
Esse fenômeno foi denominado como a “geração que envelhece sob vigilância”, um conceito que não se restringe a uma faixa etária específica, mas que abrange diferentes pessoas inseridas em uma cultura visual marcada pela exposição constante da própria imagem, registros e comparações.
O efeito do espelho digital
Além da frequência com que o rosto é visto, a influência de filtros, iluminação e edição nas imagens cria referências estéticas difíceis de reproduzir na vida real, aumentando a distância entre a aparência cotidiana e os padrões apresentados nas redes sociais.
Alan Macário, cirurgião-dentista e diretor técnico da Botopremium, destaca que a exposição digital alterou a relação das pessoas com a própria aparência. Segundo ele, “hoje, a pessoa não se vê apenas quando está diante do espelho. Ela aparece em fotos, vídeos, reuniões virtuais e redes sociais o tempo inteiro”.
O desafio, segundo Macário, é diferenciar o desejo legítimo de cuidado da busca por uma aparência que não corresponde à identidade individual, especialmente quando a referência para procedimentos estéticos vem de imagens filtradas ou excessivamente editadas.
Menos transformação, mais cuidado
O comportamento dos consumidores de procedimentos estéticos também mudou. Em vez de buscar transformações radicais, muitos procuram prevenção, manutenção, uma aparência descansada e pequenas correções graduais ao longo do tempo.
“Muitas vezes, o objetivo é manter uma aparência descansada, cuidar da pele ou preservar características que já fazem parte do rosto”, explica Macário, ressaltando que essa demanda exige uma abordagem individualizada, sem a imposição de um padrão único de juventude.
Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) indicam que mais de 20 milhões de procedimentos estéticos cirúrgicos e não cirúrgicos foram realizados mundialmente em 2024, evidenciando a expansão da demanda por intervenções voltadas à aparência.
Envelhecer também é escolher
Manoel Ferreira, diretor comercial da Botopremium, afirma que o maior acesso à informação e às possibilidades de cuidado mudou a forma como o envelhecimento é encarado. Segundo ele, isso não implica uma obrigação de parecer jovem, mas sim uma maior autonomia para decidir como lidar com a própria imagem.
O ponto central, portanto, não é combater a idade a qualquer custo, mas compreender as motivações por trás de cada escolha e preservar a individualidade em um ambiente que estimula comparações constantes. Como resume Macário: “Cuidar da aparência não precisa significar lutar contra o envelhecimento”.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



