NFL no Maracanã testa força da torcida brasileira
Jogo entre Cowboys e Ravens no Rio levanta questão sobre torcida ou espectador
Neste domingo, 27 de setembro, às 17h25, o Maracanã será palco do primeiro jogo da NFL no Rio de Janeiro, com o confronto entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens. Após duas partidas em São Paulo, a liga firmou um acordo para realizar pelo menos três jogos em cinco anos no estádio carioca, marcando um compromisso de longo prazo da NFL com o Brasil.
Para Paulo Crepaldi, especialista em comportamento do consumidor e CEO da ING Marketing & Training, o evento vai além do espetáculo esportivo: é um teste para entender como nasce e se sustenta a lealdade do fã brasileiro a um esporte que ele não herdou, mas escolheu. “No futebol brasileiro, o time é herança. Na NFL, é escolha. E essa diferença muda a forma como marcas e patrocinadores devem olhar para esse público”, afirma Crepaldi.
Torcida por herança versus escolha
O futebol no Brasil costuma ser uma paixão herdada da família. Uma tese de doutorado da FEA-USP, de 2017, com 352 respostas válidas, apontou que a família é o principal fator na escolha do clube. Já na NFL, a relação é diferente. Um estudo da Universidade Federal de Uberlândia, também de 2017, entrevistou 14 torcedores brasileiros e identificou que a escolha do time está mais ligada à identificação com um astro, geralmente o quarterback. Embora a amostra seja pequena, essa tendência foi confirmada por uma pesquisa de 2025 com 437 fãs húngaros da NFL.
Esse tipo de torcedor é chamado de “fã satélite”, que acompanha o time de longe, sem vínculo com a cidade onde ele está sediado. Segundo Crepaldi, “pela Teoria da Identidade Social, parte de quem somos vem dos grupos a que pertencemos. Torcer é dizer quem você é. Quem herda recebe essa identidade da família. Quem escolhe a constrói com o que a tela mostra. E a tela mostra vencedores”.
Lealdade e audiência
Escolher um time não significa ser menos fiel. No estudo brasileiro, 12 dos 14 entrevistados nunca trocaram de time, e os dois que mudaram seguiram um astro. A paixão pode crescer com vitórias, como ocorreu no Brasil com o kicker Cairo Santos, que jogou no Kansas City Chiefs e ajudou a aumentar a torcida local após os títulos de Super Bowl.
Apesar da NFL afirmar ter mais de 36 milhões de fãs no Brasil, dados da empresa Fantracker indicam que apenas entre 20% e 24% se consideram fãs ávidos, o que representa entre 7,2 e 8,6 milhões de pessoas. A transmissão gratuita do jogo de São Paulo em 2025 teve audiência média de 19,7 milhões por minuto, mas 94% desse público estava nos Estados Unidos, segundo YouTube e Nielsen. “O Brasil também é palco de um produto feito para a TV americana. Quem investe precisa separar espectador de torcedor”, analisa Crepaldi.
O papel do Maracanã
O acordo da NFL com o Maracanã cria um endereço fixo para a liga no Brasil, o que pode ajudar a transformar uma preferência individual em ritual coletivo. “Minha hipótese de behavior designer é que identidade escolhida só vira herança com ritual. A pergunta que levo ao Maracanã é simples: quantos dos brasileiros ao meu lado estão ali pela primeira vez, e quantos vão trazer os filhos no próximo?”, conclui Crepaldi.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



