Inclusão de pessoas com deficiência vai além das cotas

OAB Criciúma debateu desafios na escola e no mercado de trabalho para pessoas com deficiência

Estar matriculada na escola ou contratada por uma empresa não significa, necessariamente, estar incluída. Essa foi uma das principais reflexões de um episódio do podcast Direito de Saber, da OAB Criciúma, que discutiu os obstáculos enfrentados por pessoas com deficiência desde a infância até a vida profissional.

O debate, realizado em setembro, mês dedicado à luta das pessoas com deficiência, abordou a importância do respeito às diferenças e da criação de condições para que cada pessoa possa desenvolver suas habilidades e participar da sociedade com autonomia e dignidade.

Inclusão na escola

Patrícia dos Santos, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB Criciúma, destacou os efeitos da exclusão no ambiente escolar, que podem comprometer tanto a convivência com os colegas quanto o desenvolvimento da criança.

“Porque vamos construindo muros enquanto somos rotulados e isso afeta muito o nosso desenvolvimento no decorrer da nossa vida e nos ambientes em que frequentamos”, declarou Patrícia.

Ela ressaltou que, apesar dos avanços na legislação brasileira, ainda existem dificuldades na oferta de apoio especializado em sala de aula. É fundamental considerar as habilidades e necessidades individuais de cada estudante para garantir condições adequadas de aprendizagem.

“Como cada criança tem a sua habilidade e dificuldade, é importante ter um profissional com especialização. Ainda há uma diferença entre inclusão e integração, pois a inclusão é colocar a criança dentro da sala de aula, no ambiente escolar, mas não significa que ela está integrada com as pessoas e aprendendo o conteúdo”, acrescentou.

Barreiras no mercado de trabalho

Os desafios também se estendem ao mercado de trabalho. Dados da Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina indicam que, em 2024, mais de 34 mil postos formais eram ocupados por pessoas com deficiência no estado, representando um crescimento de 14,4% entre 2022 e 2024, com acréscimo de 4.325 trabalhadores.

Leandro Fenilli Felisberto, vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB Criciúma, ressaltou que o cumprimento das cotas de contratação não garante a inclusão efetiva. As empresas precisam oferecer condições adequadas e realizar adaptações para atender às necessidades de cada colaborador.

“A pessoa com deficiência quer ser integrada no mercado, não incluída. Mesmo tendo uma deficiência motora, a capacidade intelectual não é afetada”, explicou Leandro, que é pai de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Cláudio Pacheco, professor de educação física e treinador da equipe de atletismo paradesportivo de Criciúma, reforçou que a adaptação deve partir das empresas. Ele citou o caso de uma pessoa com nanismo que deixou o emprego por não conseguir percorrer o caminho irregular entre a parada de ônibus e a fábrica.

Participação efetiva e visibilidade

Janaína Alfredo da Rosa, vice-presidente da OAB Subseção Criciúma e apresentadora do podcast, destacou que discutir o tema ajuda a evidenciar barreiras que ainda permanecem invisíveis. Ela ressaltou que não basta garantir o acesso à escola ou ao mercado de trabalho, mas é preciso assegurar condições para que cada pessoa possa desenvolver suas habilidades, participar da sociedade e exercer seus direitos com dignidade.

O episódio está disponível na íntegra nas plataformas Spotify e YouTube.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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