Saúde mental no trabalho começa antes de alguém pedir ajuda

Segurança psicológica e liderança são fundamentais para ambientes seguros

Segurança psicológica: o que as empresas ainda não entenderam sobre saúde mental
Por Michele Petsch, Analista Sênior de Pessoas & Cultura do Venturus

O Setembro Amarelo tem o mérito de ampliar a conversa sobre um tema que durante muito tempo foi tratado como tabu, mas que não deve ser ignorado. Mas, quando o assunto chega ao ambiente de trabalho, é preciso fazer uma pergunta que vai além do calendário: o que as organizações estão fazendo nos outros onze meses do ano para construir ambientes em que as pessoas realmente se sintam seguras para falar sobre como estão?

A pergunta ganha ainda mais relevância diante da distância que pode existir entre a percepção das empresas e a experiência de seus profissionais. Uma pesquisa global da Deloitte realizada em 2025 mostrou que apenas cerca de um terço dos trabalhadores entrevistados afirmou que seu bem-estar havia melhorado no ano anterior, enquanto aproximadamente dois terços dos executivos C-level acreditavam que o bem-estar de seus funcionários havia melhorado.

O conceito está relacionado à possibilidade de as pessoas se manifestarem, fazerem perguntas, reconhecerem erros, apresentarem opiniões diferentes e pedirem apoio sem medo de serem humilhadas, desqualificadas ou sofrerem consequências negativas por isso. Em ambientes psicologicamente seguros, admitir uma dificuldade não é automaticamente interpretado como falta de competência, assim como apontar um problema não deveria ser confundido com falta de comprometimento.

A discussão também passa diretamente pela liderança. São os gestores que transformam muitos dos valores apresentados pelas empresas em experiências concretas no cotidiano. Uma organização pode falar sobre acolhimento, equilíbrio e respeito, mas é a reação de uma liderança diante de um erro, de um conflito ou de um pedido de ajuda que, muitas vezes, determina o quanto esses valores realmente fazem parte da cultura.

A própria Organização Mundial da Saúde reconhece que o trabalho pode ser tanto um fator de proteção quanto de risco para a saúde mental. Em escala global, a OMS estima que depressão e ansiedade levem à perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, com um custo aproximado de US$ 1 trilhão em perda de produtividade.

No fim, discutir saúde mental no ambiente corporativo exige ir além da pergunta sobre quais benefícios uma empresa oferece e perguntar que tipo de ambiente ela está construindo. Não existe uma solução definitiva para uma questão que acompanha as pessoas ao longo de toda a vida, mas existe a possibilidade de construir, todos os dias, ambientes em que ninguém precise escolher entre preservar a própria saúde e demonstrar que é capaz de realizar um bom trabalho.

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Por Michele Petsch

Analista Sênior de Pessoas & Cultura do Venturus

Artigo de opinião

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