Inclusão de pessoas surdas no trabalho vai além da contratação

No Dia Nacional do Surdo, empresas são chamadas a investir em Libras, acessibilidade e uma cultura que favoreça o pertencimento.

Contratar pessoas surdas é apenas o começo de uma política de inclusão no trabalho. Para que esses profissionais tenham autonomia, segurança e pertencimento, as empresas precisam rever a comunicação, preparar as equipes e criar condições para a participação efetiva nas rotinas. A reflexão ganha força às vésperas do Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro.

Dados divulgados pelo IBGE em 2021 apontam que cerca de 2,3 milhões de pessoas no Brasil têm deficiência auditiva, o equivalente a 1,1% da população. O primeiro Relatório Mundial sobre Audição, da Organização Mundial da Saúde (OMS), também prevê que, até 2050, uma em cada quatro pessoas viverá com algum grau de perda auditiva.

Inclusão na prática

No ambiente corporativo, a inclusão não se resume ao recrutamento ou ao cumprimento de cotas. Ela envolve adaptações estruturais, recursos de acessibilidade e uma equipe capaz de se comunicar e colaborar de maneira contínua com profissionais surdos.

Um dos caminhos é ampliar o conhecimento em Língua Brasileira de Sinais (Libras) entre lideranças e colegas ouvintes. A capacitação ajuda a reduzir ruídos de comunicação e pode tornar mais simples a participação do profissional em atividades produtivas e administrativas.

Em Medianeira (PR), a Frimesa afirma ter encerrado 2025 com 12,4% do quadro formado por pessoas com deficiência, grupo que inclui profissionais surdos. A cooperativa mantém parcerias com a Associação Medianeirense de Surdos (AMESFI) e a Associação Medianeirense dos Deficientes Físicos (AMEDEF), entidades que atuam nas áreas de educação, saúde e assistência social.

Parcerias locais

Em vez de desenvolver ações isoladas, a empresa apoia iniciativas conduzidas pelas associações. Entre as frentes estão treinamentos para lideranças, criação de oportunidades de trabalho e indicação de colaboradores ouvintes para os cursos gratuitos de Libras oferecidos pela AMESFI.

As parcerias também incluem doações mensais para projetos sociais e o direcionamento de materiais recicláveis para reaproveitamento na produção de peças artesanais. A proposta conecta inclusão profissional, apoio socioeducativo e sustentabilidade.

“Promover a inclusão de colaboradores surdos exige ir além do básico. Trata-se de educar a empresa como um todo para acolher a diversidade linguística e cultural da comunidade surda”, afirma Cinara Munhoz Cazorla, gerente de Gente e Gestão da Frimesa.

Para a executiva, o envolvimento de lideranças e colegas na aprendizagem de Libras contribui para transformar a cultura organizacional. A data, portanto, reforça uma mensagem importante para o mercado: diversidade não deve ser tratada apenas como indicador, mas como parte da construção de ambientes de trabalho mais acessíveis e humanos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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